Governo RS apresenta estudo sobre ferrovias em encontro da Câmara Temática do Conselho do Plano Rio Grande
Um estudo encomendado pelo governo do estado, por meio da Portos RS, aponta que houve uma redução de quase 50% na movimentação de cargas nas ferrovias gaúchas nos últimos 18 anos.
O cenário de deterioração das estruturas desse modal de transporte foi agravado pela enchente de maio do ano passado
A extensão concedida pela União à concessionária Rumo Malha Sul é de 3.823 quilômetros. Desses, apenas 1.680 quilômetros estavam em operação até o ano passado.
Após as enchentes, o quadro piorou, e somente 921 quilômetros estão operando atualmente. Também houve a interrupção do transporte de líquidos por ferrovia, em razão dos danos das enchentes ao trecho que realizava a conexão férrea com o restante do país.
Os detalhes do levantamento foram apresentados pelo Piratini nesta quarta-feira, durante reunião da Câmara Temática de Infraestrutura do Plano Rio Grande.
Esse estudo inclui a avaliação da malha atual, pesquisas de mercado e o impacto das enchentes nesse tipo de modal.
“Estamos buscando providências rápidas e soluções para reativar nossas ferrovias, uma vez que, nos últimos anos, perdemos metade da carga transportada pelos trens. Além disso, o custo do frete aumentou devido à maior dependência do transporte rodoviário”, reforçou.
A análise também destacou a possibilidade de uma economia de, pelo menos, 22% no custo do frete até Rio Grande, se houver investimentos na revitalização do modal.
O levantamento também revela o sucateamento das ferrovias, o baixo aproveitamento para o escoamento de safras e os danos após as enchentes do ano passado, que isolaram as ferrovias gaúchas do restante do país.
A concessão federal à iniciativa privada ocorreu em 1997 para a América Latina Logística (ALL). Em 2015, a ALL fundiu-se com a Rumo, que detém a concessão de 7,2 mil quilômetros de ferrovias nos estados do RS, SC, PR e SP. O contrato de concessão da Rumo Malha Sul (RMS) é válido até 2027.
Em entrevista coletiva, Gabriel Souza defendeu uma mudança neste modelo
“É uma concessão da década de 90, completamente desatualizada e ineficiente. Precisamos de uma nova modelagem da concessão a partir de 2027, mas o Rio Grande do Sul não pode esperar até lá.
A sugestão para separar o turismo ferroviário é fundamental, assim como a necessidade de intervenções rápidas para restabelecer a conexão com o restante do Brasil para o transporte de líquidos, como combustíveis”, destacou Gabriel.
Outro ponto que chama atenção é que, em 18 anos, o modal ferroviário perdeu metade da sua velocidade operacional. Atualmente, tem a quarta menor velocidade média no Brasil: 12 km/h.
O estudo aponta que apenas 2% dos fertilizantes do RS são transportados por ferrovia, mesmo sendo uma carga de retorno para o frete de grãos.
Contêineres e produtos siderúrgicos, que representavam 12% da carga em 2013, não são mais movimentados.
2013-2023: aumento de 35% no embarque de granéis em navios no Porto de Rio Grande (soja, farelo, milho e trigo).
Por outro lado, o desembarque ferroviário de GSA no Porto do Rio Grande encontra-se essencialmente estagnado, com tendência de queda:
Redução de 13% no embarque férreo;
O share ferroviário de cargas no Porto do Rio Grande foi de apenas 6% em 2023.
Soluções?
O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, que participou da reunião remotamente, afirmou que o órgão está articulando com a concessionária a devolução do trecho afetado.
“Estamos trabalhando em uma solução que permita o retorno do trem turístico, além de negociar com a Rumo e considerar o projeto como um todo. Entendemos a importância desse trecho ferroviário não apenas para a economia local, mas para todo o Estado”, ressaltou.
Felipe Ferreira de Ferreira, coordenador regional de Fiscalização Ferroviária da ANTT, também esteve presente e destacou que a ANTT já emitiu mais de 600 autos de infração à concessionária, com mais de 300 relacionados à Malha Sul.
“Sabemos que a ferrovia no Rio Grande do Sul precisa de mais atenção, e isso está sendo cobrado. Há estudos em andamento para redirecionar os trechos ferroviários não utilizados pela empresa”, explicou.
Além da reativação das linhas inoperantes, Gabriel mencionou investimentos necessários, como a criação de um novo trecho entre Santa Maria e São Gabriel, que reduziria a distância para o recebimento de cargas do interior do Estado, especialmente de grãos, no Porto de Rio Grande.
A reunião teve a participação dos secretários de Logística e Transportes, Juvir Costella; do secretário-executivo do Plano Rio Grande, Paulinho Salerno; do presidente da Portos RS, Cristiano Klinger; além de representantes de diversas entidades ligadas ao tema.
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