Shi Yongxin, um dos monges budistas mais conhecidos da China e atual diretor do templo Shaolin, está no centro de uma polêmica. Aos 59 anos, ele é acusado de desviar fundos e manter relações consideradas impróprias com mulheres — o que pode levá-lo a perder sua posição.
Conhecido como “Monge CEO”, Yongxin é famoso por transformar o templo em uma marca global. Ele fundou empresas fora da China e ganhou projeção internacional ao combinar ensinamentos do budismo zen com a prática do kung fu.
Porém, esse perfil empresarial sempre dividiu opiniões. Há anos, ex-monges o acusam de viver com luxo, inclusive com uma frota de carros e negócios milionários ligados ao templo.
Acusações graves
Segundo a Associação Budista da China, o monge teria desviado recursos destinados a projetos do templo. Ele também estaria envolvido em relacionamentos com várias mulheres ao longo de anos e, segundo o comunicado, seria pai de ao menos uma criança — o que fere diretamente o voto de celibato dos monges.
A entidade, supervisionada pelo Partido Comunista Chinês, afirma que as ações de Shi Yongxin mancham a imagem da comunidade budista. A associação afirmou que vai cancelar sua ordenação e apoiou as punições legais contra ele.
O caso está sendo apurado por diferentes órgãos do governo chinês. As acusações geraram forte repercussão nas redes sociais do país. No Weibo, plataforma semelhante ao Twitter, o tema já ultrapassou os 560 milhões de visualizações, segundo a agência AFP.
Histórico de poder e influência
Yongxin é abade do templo Shaolin desde 1999. Em 2002, tornou-se vice-presidente da Associação Budista da China e integrou o principal parlamento do país. O templo Shaolin, fundado no ano 495 nas montanhas de Henan, é conhecido como o berço do kung fu e do budismo zen.
Em 2015, quando surgiram denúncias semelhantes, o templo chegou a se manifestar, chamando tudo de “calúnia maliciosa”. Agora, porém, o tom é diferente: os próprios representantes do templo confirmaram as investigações em andamento.




