Uma mulher que viveu há mais de 2 mil anos na Sibéria intrigou pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. A múmia, pertencente ao povo Pazyryk, foi analisada com tecnologia infravermelha de última geração e revelou tatuagens de animais em seus antebraços.
As imagens, agora mais nítidas, foram captadas com resolução submilimétrica e deram aos estudiosos uma visão inédita das técnicas usadas na época.
As tatuagens chamam atenção pela precisão. As linhas têm espessura uniforme e foram feitas com ferramentas diferentes: algumas com ponta única e outras com um instrumento multiponto, capaz de perfurar vários locais ao mesmo tempo. Segundo os cientistas, esse tipo de ferramenta podia ser um feixe de espinhos amarrado com tendões ou fios.
Aaron Deter-Wolf, coautor do estudo, contou ao site Live Science que as ferramentas usadas eram provavelmente biodegradáveis, o que explica a ausência de vestígios físicos. O especialista acredita que o tatuador tinha grande habilidade, já que os traços sobrepostos indicam um controle preciso sobre o desenho.
Simbologia e rituais ainda são mistério
As tatuagens mostram cenas de luta entre animais e criaturas míticas, como grifos. Essa arte complexa pode ter exigido mais de uma sessão, além de diferentes ferramentas e arranjos. Apesar do nível de detalhamento, os pesquisadores ainda não sabem se os desenhos foram feitos por uma única pessoa ou por vários tatuadores.
Outra dúvida envolve o momento em que as tatuagens eram feitas. Não se sabe se isso acontecia em oficinas fixas, em movimento ou até durante rituais funerários sazonais.
Há casos de múmias que tiveram partes tatuadas removidas no embalsamamento, o que sugere que os desenhos não possuíam um significado espiritual ligado à vida após a morte.
Montanhas geladas
Os Pazyryk eram nômades e viviam onde hoje é a Sibéria. Enterravam seus mortos em grandes montes chamados kurgans, construídos sobre o solo congelado do permafrost. Isso, aliado a técnicas de embalsamamento, ajudou a preservar bem os corpos.
As primeiras múmias com tatuagens foram encontradas ainda na década de 1940. Já nos anos 2000, o uso de imagens em infravermelho permitiu revelar novos detalhes em quatro múmias do grupo.
O trabalho foi publicado na revista científica Antiquity e aprofunda a compreensão sobre a arte corporal dos Pazyryk. A múmia analisada mais de perto tinha cerca de 50 anos e tatuagens nas mãos e antebraços. Os desenhos reforçam a ideia de que a tatuagem já era uma prática cultural bem estabelecida há mais de 2 mil anos.




