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Descobertos animais de 75 mil anos em caverna norueguesa

Por Júlia Martins
09/08/2025
Em Variedades
Foto:  Trond Klungseth Lødøen/Reprodução

Foto: Trond Klungseth Lødøen/Reprodução

Pesquisadores descobriram restos mortais de 46 espécies que habitaram a costa do Ártico europeu há cerca de 75 mil anos. O achado foi feito em uma caverna no norte da Noruega e representa o mais antigo registro de uma comunidade animal da Era Glacial.

Os fósseis estavam preservados na Arne Qvamgrotta, uma caverna revelada por acaso nos anos 1990, durante a escavação de um túnel por uma mineradora. O local permaneceu praticamente intocado até 2021 e 2022, quando escavações científicas sistemáticas foram realizadas.

Mistura de mar e terra no ecossistema antigo

Entre os animais identificados estão urso-polar, baleia-da-Groenlândia, morsa, fradinho, lagópode-branco, bacalhau-do-Atlântico, botos e até o êider-edredão, um pato típico da região. O achado mais inusitado foi o de ossos de lêmures-de-colar, espécie extinta que jamais havia sido registrada na Escandinávia.

Os dados sugerem que a costa norueguesa era praticamente livre de gelo naquela época. Esse cenário teria favorecido a presença de espécies migratórias, como as renas, cujos vestígios também foram encontrados no local.

O estudo, publicado na revista PNAS, foi conduzido por cientistas da Universidade de Oslo e outras instituições europeias. Eles afirmam que a descoberta ajuda a entender como a fauna do Ártico reagia a mudanças climáticas extremas.

Segundo o pesquisador Sam Walker, o material oferece um raro retrato de um Ártico desaparecido. “Esses fósseis nos mostram como animais adaptados ao frio podem ser vulneráveis diante de alterações bruscas no clima”, afirma.

Mudanças de clima e risco de extinção

Walker alerta que os habitats árticos estão hoje mais fragmentados do que no passado. Isso dificulta ainda mais a migração e adaptação das espécies frente ao aquecimento global. Para ele, esse é um dos principais riscos de extinção enfrentados por animais que dependem de ambientes gelados.

Já Sanne Boessenkool, coautora do estudo, destaca que são raríssimos os registros tão antigos da vida no Ártico. Ela lembra que, diferentemente do passado — quando o clima voltou a esfriar —, hoje o planeta passa por um processo acelerado de aquecimento. Isso coloca essas espécies numa situação ainda mais delicada.

Júlia Martins

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Foto: Getty Images/Reprodução

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