Um desastre ambiental silencioso, mas devastador, atingiu o Alasca entre 2014 e 2016. Uma anomalia climática apelidada de “Blob” — uma imensa massa de água anormalmente quente — alterou o equilíbrio do oceano e matou cerca de 4 milhões de airos-comuns (Uria aalge). O fenômeno, sem precedentes, colocou a espécie à beira da extinção.
A enorme mancha de água quente se espalhou pelo Mar de Bering e pelo Golfo do Alasca, destruindo ecossistemas e interrompendo a cadeia alimentar de diversas espécies marinhas.
Os airos-comuns, que dependem de cardumes abundantes para se alimentar, passaram a morrer de fome em massa. Muitos dos sobreviventes ficaram fracos demais para se reproduzir, comprometendo gravemente a recuperação das colônias.
Um estudo publicado na revista Science em dezembro de 2024 analisou os impactos desse evento climático. Os cientistas observaram que, a partir de 2015, as colônias começaram a desaparecer.
Em comunicado, a pesquisadora Brie Drummond, coautora do estudo, explicou que inicialmente acreditava-se que as aves apenas haviam pulado uma temporada reprodutiva, mas a ausência persistiu.
Heather Renner, outra coautora, destacou que a mortandade foi imediatamente percebida como inédita em escala, mas sem noção do tamanho real da tragédia. As estimativas indicam que cerca de metade da população do Alasca foi perdida.
Mesmo sete anos após o fim da Blob, em 2023, as colônias não haviam se recuperado. A tragédia ambiental continua sendo um alerta sobre os efeitos de mudanças climáticas extremas nos ecossistemas marinhos.




