A Natura (NATU3) pode estar a um passo de uma transformação importante. A companhia incluiu a Avon Internacional na lista de operações descontinuadas e mantidas para venda. Isso indica que a venda do negócio pode ocorrer dentro de um ano.
O CEO João Paulo Ferreira destacou que a decisão é prioridade. Já a CFO, Silvia Vilas Boa, explicou que o processo está aberto a diferentes formatos e que a análise inclui todas as alternativas possíveis.
Ativos que deixam o portfólio
A Avon América Central e República Dominicana (CARD) também entrou na lista de ativos à venda. O motivo é simples: a marca. Natura não é comercializada nessas regiões. A situação é diferente de países como México e Argentina, onde a operação segue ativa.
Com a reclassificação, o caixa consolidado da Natura encolheu R$ 750 milhões. Além disso, a reestruturação da Avon Internacional consumiu cerca de R$ 1 bilhão no semestre, somando efeitos da sazonalidade e do câmbio.
Lucro volta a crescer
No segundo trimestre de 2025, a Natura registrou lucro líquido consolidado de R$ 195,1 milhões. O resultado reverte o prejuízo de R$ 122,7 milhões do mesmo período de 2024. Os números consideram a Avon fora da América Latina como operação para venda.
Se analisadas apenas as operações na América Latina, o lucro foi ainda maior: R$ 445 milhões, contra perda de R$ 872,8 milhões no ano anterior.
O EBITDA foi de R$ 675,1 milhões, ante saldo negativo de R$ 6,9 milhões em 2024. No critério recorrente, chegou a R$ 795,6 milhões.
Receita e margens
A receita líquida somou R$ 5,7 bilhões, queda anual de 1,7%. O recuo foi compensado por avanços da marca Natura no Brasil (10,3%) e na Hispana (17,8%). Já a Avon Brasil teve retração de 12,9%.
A margem bruta ficou em 66,4%, levemente acima de 2024, mas abaixo dos 67,4% do primeiro trimestre deste ano. O custo de mercadorias vendidas subiu mais de 4%, totalizando R$ 3,6 bilhões.
As despesas operacionais se mantiveram estáveis, com variação de apenas 0,2% no segundo trimestre. A dívida líquida encerrou em R$ 4 bilhões, com alavancagem de 2,18 vezes o Ebitda.
O fluxo de caixa livre das operações continuadas ficou negativo em R$ 9 milhões no primeiro semestre. Um ano antes, o saldo negativo era muito maior: R$ 1,2 bilhão.




