Dizem que a água é fonte de vida. Para a família Bertone, virou também sinônimo de sucesso. Foi em 1996 que Alberto Bertone, então empresário da construção civil, apostou em um negócio inesperado: engarrafar água mineral.
Hoje, como presidente e diretor executivo do Grupo Sant’Anna, ele comanda um faturamento de 340 milhões de euros anuais.
A história começou no Vale Stura, em Vinadio, na província de Cuneo, no coração dos Alpes Marítimos. A família buscava uma nascente de qualidade e encontrou, a quase dois mil metros de altitude, uma água pura e intocada.
O risco foi alto: deixar um setor lucrativo, como a construção, para entrar em um mercado competitivo e de margens pequenas. Mas a aposta deu certo.
Tecnologia a serviço da pureza
Para preservar as características naturais, a água é canalizada por 600 km de tubulações até a fábrica de Vinadio, onde chega sem contaminações. No local, são 60 mil metros quadrados de estrutura e 11 tanques de aço inox, cada um com capacidade de um milhão de litros.
A produção é imediata: a água vai direto para as linhas de engarrafamento, mantendo o frescor da nascente.
Crescimento acelerado
Com pouco tempo de mercado, a marca se tornou líder na Itália. A primeira grande aposta foi a garrafa de 1,5 litro, ainda hoje um dos carros-chefe. A empresa diversificou formatos, passou a usar vidro, alumínio, tetrapak e até plástico reciclado.
Hoje, são mais de 350 referências, com mais de 1,5 bilhão de garrafas produzidas por ano.
Inovação verde
Um dos marcos da empresa foi o lançamento da Bio Bottle, em 2008. Feita a partir de um biopolímero vegetal, é biodegradável e compostável em até 80 dias.
A novidade foi uma revolução no setor, mas sofreu com a alta do custo da matéria-prima, o que reduziu a demanda. Ainda assim, segue disponível como alternativa sustentável.
A Sant’Anna expandiu para novos segmentos. Criou a linha de chás SanThè, hoje a terceira mais vendida na Itália, lançou águas frutadas de baixa caloria e entrou no setor de wellness com bebidas enriquecidas com colágeno, proteínas e ácido hialurônico. Também investiu em sucos leves, como a linha SanFruit, que mistura água mineral e frutas sem adição de açúcar.
Negócio global
Presente em diversos países, a empresa atua tanto com distribuidores quanto em acordos diretos com redes de varejo. Além disso, comprou a marca Eau Neuve, na França, onde já conta com 100 funcionários. Na Itália, emprega 250 pessoas, quase todas da região de Vinadio, reforçando a economia local.
Para Bertone, investir não significa apenas tecnologia. Ele defende que as pessoas são o coração da empresa, mesmo em um ambiente altamente robotizado. A Sant’Anna concede benefícios, apoia a saúde dos funcionários e, durante a pandemia, pagou um salário extra para amenizar os custos de vida.
Outra paixão do executivo é a arte. Obras de artistas como Marco Lodola e Ugo Nespolo decoram a sede da empresa em Orbassano, na província de Turim. Segundo Bertone, um espaço de trabalho inspirador melhora a produtividade e a criatividade.
Hoje, a Sant’Anna opera 16 linhas de engarrafamento e prepara uma nova linha para chás gelados, cinco vezes mais rápida que as atuais. O desafio agora é expandir ainda mais no mercado europeu e enfrentar os altos custos logísticos e produtivos.




