Dirigir pelas estradas do Brasil é a rotina de milhões de caminhoneiros, mas para Luana Michele Sousa e Lucivaldo Leite de Oliveira, a boleia também se tornou um lar. Há oito anos na estrada, o casal leva consigo a filha Liz, que viaja com os pais desde os quatro meses de idade e hoje tem 4 anos.
O caminhão se tornou muito mais que um veículo: é a casa da família. O banco do passageiro se transforma em cama, brinquedos ocupam cada cantinho, e o espaço é adaptado para conforto e segurança.
“É a nossa casa sobre rodas. Algumas pessoas acham perigoso, e é verdade, mas a vida tem riscos em todos os lugares”, afirma Luana.
Recentemente, o Profissão Repórter registrou a rotina da família durante uma viagem de Recife (PE) a Belém (PA), transportando peças de moto. Foram cerca de 900 km, iniciando com café da manhã no Piauí e almoço no Maranhão. À noite, a parada foi à beira da estrada, pois a carga não podia continuar durante a madrugada. Entre noites empoeiradas, banhos improvisados e brinquedos, Liz segue tranquila.
Rotina intensa e revezamento
Na estrada, Luana e Lucivaldo se revezam na direção para que um descanse enquanto o outro conduz. Mesmo enfrentando estradas ruins e longos trechos sem descanso, a pequena Liz mantém a serenidade.
“Se você não gosta desse ritmo, não aguenta”, diz Luana, resumindo os desafios da profissão.
A família já planeja reduzir viagens longas para que Liz possa frequentar a escola regularmente. “Vamos ter que reorganizar a rotina, ficar mais perto de casa ou mudar para um caminhão menor”, explica Luana.
Apesar das dificuldades, a vida na estrada fortalece a união familiar e mostra a realidade de milhões de caminhoneiros brasileiros que carregam o país nas costas, enfrentando longas jornadas e condições adversas todos os dias.




