Sistema antigranizo: uma aliança entre o Governo do Estado do Rio Grande do Sul e 27 municípios da Serra Gaúcha e do Vale do Caí promete mudar o combate aos estragos causados pelo clima no campo. As prefeituras da região confirmaram adesão ao edital promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), focado na manutenção e operação de sistemas de proteção antigranizo.

A medida visa frear os crescentes prejuízos financeiros enfrentados pelos produtores rurais durante períodos de instabilidade meteorológica severa. Por meio do cofinanciamento estadual, a iniciativa vai cobrir entre 20% e 30% dos custos anuais de operação dos equipamentos. O repasse será proporcional à pontuação obtida por cada cidade no processo de seleção, com aportes que variam de R$ 50 mil até R$ 1 milhão por município.
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Recursos do Fundovitis e combate com Iodeto de Prata (antigranizo)
O plano de contenção será financiado com verbas do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis). O investimento cobrirá desde a compra de reagentes químicos e serviços de monitoramento meteorológico em tempo real até a manutenção corretiva e preventiva das estruturas.
A tecnologia empregada se baseia em geradores terrestres encarregados de dispersar iodeto de prata nas camadas atmosféricas — método de modificação do tempo já consolidado no estado vizinho de Santa Catarina. O objetivo da Seapi é formar uma rede regional integrada e coordenada para neutralizar a formação das pedras de gelo antes que alcancem os pomares e plantações.
Próximos passos do edital
Com o encerramento da fase de inscrições, a equipe técnica da Seapi dará início à verificação documental e avaliação das propostas submetidas. De acordo com o cronograma oficial da pasta, a expectativa é que a homologação dos projetos selecionados seja concluída até o dia 2 de dezembro de 2026.
Cidades participantes da iniciativa: Alto Feliz, Antônio Prado, Bento Gonçalves, Boa Vista do Sul, Campestre da Serra, Caxias do Sul, Coronel Pilar, Fagundes Varela, Farroupilha, Flores da Cunha, Monte Belo do Sul, Nova Pádua, Nova Roma do Sul, Pinto Bandeira, Santa Tereza, São Marcos, São Vendelino, Vale Real, Veranópolis e Vila Flores, entre outras localidades da região.
Como funciona o sistema antigranizo
- Geração de ondas: O equipamento dispara ondas de choque a cada poucos segundos (geralmente entre 1 e 10 segundos) em direção à atmosfera.
- Objetivo: A vibração sônica tenta interferir no crescimento dos cristais de gelo e na aglomeracão das pedras de granizo, fazendo com que cheguem ao solo como chuva ou gelo miúdo (menos destrutivo).
- Operação: O acionamento costuma ser feito de forma remota, com base no monitoramento meteorológico de nuvens carregadas.
- Alcance: Cada unidade cobre em média de 60 a 90 hectares (ou um raio mínimo de cerca de 500 metros).
- Aplicações: Tradicionalmente usado em lavouras e áreas industriais, o sistema ganhou destaque no Brasil com a instalação de equipamentos na cidade de Chapecó (SC) — apontada como uma das primeiras da América Latina a testar a tecnologia em perímetro urbano — e em regiões do Alto Vale.
- Contvérsia: Comunidades e vizinhos costumam reclamar do ruído alto e repetitivo gerado pelas explosões dos canhões. Além disso, a comunidade científica e órgãos de meteorologia apontam que não há consenso ou comprovação científica definitiva de que os canhões sejam eficazes para impedir a queda de granizo.





