A situação do HIV em Camaquã, no Rio Grande do Sul, foi tema de uma entrevista com a enfermeira Daiane Risto, especialista em HIV/AIDS, na Rádio Acústica FM. A profissional destacou o aumento de casos no município, a importância da prevenção, da testagem – especialmente durante o Carnaval – e do tratamento, além de desmistificar tabus e esclarecer dúvidas sobre a doença.
Camaquã registra uma média preocupante de cinco novos casos de HIV por mês, com maior incidência entre jovens abaixo de 40 anos, incluindo casos em pessoas de 18 e 19 anos. O município é referência no atendimento a pacientes com HIV para outras quatro cidades, totalizando 449 pessoas em acompanhamento.
A principal preocupação das autoridades de saúde é identificar as pessoas que vivem com o vírus, mas não sabem, para que iniciem o tratamento e interrompam a cadeia de transmissão.
Autoteste do HIV está disponível gratuitamente
Para facilitar o diagnóstico, o Ministério da Saúde e o estado do Rio Grande do Sul intensificaram as campanhas de autoteste para HIV. O autoteste, disponível gratuitamente em todas as unidades de saúde de Camaquã, é simples, rápido (resultado em 20 minutos) e pode ser feito em casa, utilizando a saliva. A enfermeira explicou detalhadamente o passo a passo do autoteste e enfatizou que, em caso de resultado positivo, é fundamental procurar uma unidade de saúde para realizar um teste confirmatório e iniciar o tratamento.
O tratamento para HIV evoluiu significativamente, sendo atualmente realizado com apenas dois comprimidos diários, fornecidos gratuitamente pelo SUS, e com poucos efeitos colaterais. A enfermeira Daiane Risto também abordou a importância da prevenção, com o uso de preservativo em todas as relações sexuais, e explicou sobre a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), medicamentos que podem prevenir a infecção pelo HIV em situações específicas. A entrevista abordou ainda temas como a janela imunológica, a transmissão do vírus, a carga viral indetectável, outras ISTs, o sigilo no atendimento, o tabu em torno da doença, a importância do diálogo com o parceiro(a) e as doenças oportunistas.