A Polícia Civil desarticulou nesta quarta-feira um grupo criminoso especializado em estelionatos, falsificação de documentos e uso de identidade falsa, suspeito de aplicar o golpe conhecido como “falso advogado”.

Foram sete mandados de prisão preventiva e dezoito mandados de busca e apreensão nos estados do Ceará, Santa Catarina e Minas Gerais. Até o momento, seis pessoas foram presas.
Participam da ação operacional mais de 100 policiais civis dos estados do Rio Grande do Sul, Ceará, Santa Catarina e Minas Gerais.
Como era o golpe do Falso Advogado
A fraude ocorre por meio de um método que combina engenharia social com o acesso a informações processuais, na maioria públicas.
Coleta de informações:
Os golpistas monitoram os sistemas dos tribunais para identificar processos judiciais, especialmente aqueles relacionados a precatórios, Requisições de Pequeno Valor (RPVs) ou indenizações. A partir disso, coletam nomes das partes, CPFs, nomes de advogados e números de processos.
Contato persuasivo:
De posse desses dados, os criminosos entram em contato com as vítimas, geralmente por WhatsApp ou ligação telefônica, utilizando números desconhecidos. Apresentam-se como advogados, “assessores”, “secretários(as)” de escritórios de advocacia ou até mesmo como supostos funcionários de tribunais.
Falsa promessa: A abordagem é altamente convincente. O golpista informa que determinado valor — como precatórios ou indenizações — foi finalmente liberado. Para conferir veracidade, enviam documentos falsificados com timbres do Poder Judiciário ou de escritórios de advocacia.
Exigência indevida: O ponto central do golpe é a imposição de uma condição para a liberação do dinheiro: a vítima deve pagar “custas processuais”, “impostos” ou “taxas cartorárias” de forma antecipada. O pagamento é solicitado via PIX, geralmente para contas de terceiros (conhecidos como “laranjas”).
Sofisticação: Em alguns casos, os criminosos utilizam chamadas de vídeo, fotos, vídeos e áudios com linguagem jurídica, aumentando a credibilidade da fraude e dificultando a identificação do golpe pelas vítimas.
A investigação da Policia Civil
Em 2024, diante do elevado número de registros de ocorrência por parte de advogados gaúchos, que relataram a utilização indevida de seus nomes e dados profissionais em abordagens fraudulentas aos seus clientes, a Polícia Civil deu início à investigação, com a instauração de diversos inquéritos policiais.
Na sequência, foram iniciadas diligências com o objetivo de identificar e responsabilizar os autores dos crimes. Foram utilizadas ferramentas tecnológicas de investigação, que permitiram identificar 15 indivíduos no Estado do Ceará, um em Santa Catarina e um em Minas Gerais.
Foram expedidas e estão sendo cumpridas ordens de prisão preventiva contra sete integrantes principais da associação criminosa, todos localizados no Estado do Ceará.
O grupo contava com a participação de um homem de 44 anos, natural de Fortaleza, apontado como responsável pela criação de mecanismos para a prática dos crimes, além de exercer controle sobre os ganhos financeiros oriundos da fraude.
Outros integrantes dividiam-se entre as funções de tecnologia, logística, finanças, entre outras áreas de suporte à atividade criminosa.
Com a deflagração da operação, a Polícia Civil reafirma o compromisso com a condução de investigações criminais qualificadas, especialmente aquelas em que haja indícios da atuação de organizações criminosas estruturadas, visando à responsabilização penal de todos os envolvidos e à repressão proporcional da atividade delituosa.




