Agro

Conab retoma Contratos de Opção de Venda de arroz

Medida foi tomada após reivindicação dos produtores, porque o preço do cereal está muito baixo no mercado

O governo federal vai ofertar crédito extraordinário de R$ 150 milhões para a compra direta de arroz cultivado pelos agricultores do Rio Grande do Sul.

Foto: Airton Lemos

A medida, anunciada pela Conab nesta terça-feira (15/07), vale para aqueles que quiserem exercer o direito de venda do alimento para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A previsão da Conab é adquirir 110 mil toneladas do cereal da produção deste ano. Será pago ao produtor, em agosto, R$ 73 a saca de 50 kg; em setembro, R$ 73,48; e, em outubro, R$ R$ 73,95.  O cálculo considera um adicional de cerca de 15% sobre o preço mínimo atual.

“O que nós queremos é que os produtores de arroz, um setor que é tão importante, um produto essencial na mesa dos brasileiros, sintam que o governo federal está presente”, destacou o presidente da Conab, Edegar Pretto.

A iniciativa do governo atende a parte das demandas do setor, que reivindicava uma nova rodada de contratos de venda, tendo em vista que o preço pago ao produtor está muito abaixo do praticado no mercado.

Conforme o indicador do arroz em casca Cepea/Irga, a saca de 50 quilos estava, até 11 de julho, com média de R$ 67,45. O valor é 41,4% menor do que no mesmo mês de 2024.

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Nunes, afirma que a medida é positiva, mas salienta que os arrozeiros precisam de mais incentivos para serem competitivos no mercado exportador.

“É necessário que os produtores do Rio Grande do Sul entendam que a exportação de arroz é importante para a diminuição do estoque  não só no Brasil, como também dentro do Mercosul. Mas temos alguns entraves em toda a nossa produção para concorrer com os nossos parceiros do Mercosul.

Então, nós necessitamos que o Ministério da Agricultura seja mais eficiente nas fiscalizações das embalagens, na tipificação do arroz. Está ocorrendo questões como burlarem as tipificações do produto.”

A diretora da Associação da Indústria do Arroz (Abiarroz), Andressa Silva, participou da coletiva e apontou que a oscilação de preços é prejudicial também ao setor que ela representa.

“Essa oscilação de preços acaba comprometendo a segurança do produtor em produzir, a segurança da indústria em comercializar e também tem um impacto negativo no consumo do arroz. Quando os preços estão muito elevados, o consumidor acaba migrando para alternativas de produtos.

E, quando os preços estão muito baixos, o consumidor perde a referência de valor do produto. O Brasil é autossuficiente na produção de arroz, e isso é um fato a ser comemorado, porque nós não dependemos do mercado externo para abastecer a população.

E isso faz com que seja necessário um comprometimento de todos os agentes da cadeia, inclusive do governo, para garantir a viabilidade da atividade com vistas a manter a segurança alimentar da população brasileira.”


Contratos anteriores

Em novembro do ano passado, a Conab  pretendia assegurar a negociação de até 500 mil toneladas, com investimento de R$ 1 bilhão com Contratos de Opção de Venda, mas a adesão foi baixo no Estado. O setor do arroz considerava a proposta financeiramente baixa em relação ao alto preço do grão no mercado naquele momento. Para os contratos de opção de 2024, com vencimento em agosto, a Conab deverá pagar R$ 87,62 a saca, contra os R$ 73 agora oferecidos.

Contrato de opção Venda do Arroz

O Contrato de Opção de Venda é uma modalidade de seguro de preços que dá ao produtor rural, ou à sua cooperativa, o direito — mas não a obrigação — de vender seu produto para o governo, em uma data futura, a um preço previamente fixado.