Impasse

Fiergs se reúne com Alckmin para soluções contra tarifaço de Trump

Em reunião, o empresariado irá defender a adoção de medidas compensatórias por parte do governo federal

Uma comitiva técnica e empresarial da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) apresentará ao presidente em exercício, Geraldo Alckmin, os impactos, na indústria gaúcha, das tarifas de 50% previstas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Foto: Dudu Leal

Na reunião marcada para as 16h desta segunda-feira, o empresariado irá defender a adoção de medidas compensatórias por parte do governo federal, caso a taxação entre em vigor a partir de 1º de agosto.

“Este diálogo é essencial para alcançarmos um resultado melhor para nossas indústrias. A expectativa é levar ao vice-presidente nossos pleitos e colaborar com o governo federal na negociação com o presidente norte-americano”, afirma o presidente da Fiergs, Claudio Bier.

Alckmin, como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, lidera o grupo do governo brasileiro responsável pela negociação com o governo norte-americano.

Entre as medidas propostas pela entidade — compiladas em carta conjunta com os sindicatos industriais e já enviada à Confederação Nacional da Indústria (CNI) — estão: a não adoção da tarifa de 50%, a prorrogação por 90 dias do início da vigência, caso seja adotada, a mobilização das indústrias exportadoras brasileiras junto a seus parceiros comerciais nos EUA para sensibilizar o governo americano, e a adoção de medidas emergenciais, como linhas de financiamento, programas similares ao Reintegra, redução de jornada e salário, além da suspensão temporária de contratos, FGTS e recolhimentos previdenciários.

O Rio Grande do Sul é o segundo estado mais afetado pela medida anunciada pelo presidente Donald Trump, segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Se as tarifas forem mantidas, o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho pode sofrer um impacto de R$ 1,9 bilhão.

Dados da Unidade de Estudos Econômicos (UEE) do Sistema Fiergs mostram que, em 2024, os Estados Unidos foram destino de 11,2% das exportações da indústria de transformação gaúcha.

O ramo com maior exposição foi o de armas de fogo (85,9%), seguido pelos calçados de couro que, apesar de menor dependência do mercado americano, constituem o setor que mais emprega no Rio Grande do Sul.

Na última sexta-feira (18), Bier reuniu-se com o governador Eduardo Leite, empresários e o cônsul-geral dos EUA em Porto Alegre, Jason Green.