Política

Paula Mascarenhas: “Não me prestaria a entrar em um processo que não fosse para valer”

A afirmação ocorre em entrevista após a presidente dos tucanos no RS ser anunciada como pré-candidata ao Piratini pela sigla

Anunciada como pré-candidata do PSDB ao governo do Estado neste domingo, Paula Mascarenhas afirmou, em entrevista à Acústica FM, que sua candidatura não fecha as portas para o diálogo com outros partidos em 2026, na disputa pelo Piratini.

Foto: PSDB RS

“A nossa candidatura não é contra ninguém. Não é contra o Gabriel, nem contra o MDB. Ao contrário, é a favor. A favor do fortalecimento do nosso partido, mas, sobretudo, de um projeto, com uma agenda de governo que vem transformando o Rio Grande do Sul para melhor.

Na verdade, nós estamos trabalhando nessa agenda e acreditamos que o PSDB está colocando um nome que pode representá-la — assim como o MDB coloca o seu, o PP, o PDT. Não quero que a minha pré-candidatura seja vista como algo contra alguém. Ao contrário, é a favor do Rio Grande do Sul, a favor do governo e a favor do PSDB.”

Questionada pela Acústica FM se a candidatura tucana é para valer ou apenas para marcar posição no cenário eleitoral, a dirigente partidária disse que atendeu à manifestação de apoio de muitas lideranças do PSDB.

“É para valer, sim. Eu não me prestaria a entrar num processo que não fosse para valer. Na verdade, tenho essa pré-candidatura lançada em Rio Grande, pela manifestação de muitas lideranças do PSDB de todo o Estado. Tem o intuito de fortalecer o nosso partido, de unir o nosso partido, que está num momento de transição.

É um argumento mais do que justificado: uma candidatura que realmente unifique o partido numa missão de dar visibilidade ao seu projeto. Mas também tem o intuito de colocar o nome à disposição na defesa de um governo que é o governo do PSDB também — um governo que foi constituído por vários partidos, mas no qual o PSDB teve protagonismo.”

Embora o Brasil ainda esteja a um ano e três meses da eleição, alguns partidos da base do governo Leite já colocam nomes como pré-candidatos, como Juliana Brizola, do PDT, e o deputado federal pelo Progressistas, Vilson Covatti. Paula Mascarenhas considera esse movimento saudável neste contexto pré-eleitoral.

“Vemos com o maior respeito. Assim como nós temos o direito e a legitimidade de colocar um nome, os partidos aliados também têm. Faz parte, é o momento para isso. Falta um ano para a eleição, é o momento de os partidos mostrarem suas lideranças, seus nomes, suas propostas — e, depois, ao longo do processo, as coisas vão ficando mais claras e mais definidas.”

Perguntada sobre a reação do governador Eduardo Leite, que migrou do PSDB para o PSD, Paula disse que o chefe do Executivo estadual respeitou a decisão.

“Conversamos rapidamente, porque isso aconteceu no fim de semana. O governador é um democrata, entende que os partidos têm esse direito, respeita cada um. Então, ele acolheu com o maior respeito e entendendo a legitimidade dessa colocação aí do PSDB. Ele tem esse convívio harmonioso com todos os partidos que integram a sua base.”

O PSDB estava negociando uma fusão ou incorporação com o Podemos, como forma de tentar escapar de uma possibilidade concreta de extinção. No entanto, durante a entrevista, a presidente da sigla no RS disse que as tratativas, por ora, recuaram.

“Nós estamos vendo, no cenário brasileiro, todos os partidos conversando muito entre si, porque há uma legislação eleitoral que impõe regras que, às vezes, dificultam.

Então, estamos vendo a formação de federações e algumas possibilidades de fusão. Tínhamos uma conversa mais adiantada, que deu uma esfriada ultimamente, mas continuamos. O PSDB continua dialogando com essa sigla e com outras, na intenção de fortalecer o partido e enfrentar as restrições da legislação eleitoral.

Mas, independentemente de qualquer coisa, nós temos muito orgulho da nossa sigla e entendemos o PSDB como um partido necessário, especialmente para o centro democrático. Num contexto de polarização, o PSDB é um partido que dialoga com todos, que respeita quem pensa diferente e que tem a democracia em seu DNA.

E, mais do que nunca, isso hoje é necessário. Por isso, lutamos tanto pela manutenção e pelo fortalecimento desta sigla”, afirmou Paula.

Os dirigentes do PSDB miram uma federação partidária com MDB e Republicanos. Também há conversas em andamento com o Solidariedade, mas uma junção ao partido de Paulinho da Força (SP) é considerada improvável nos bastidores.