O tarifaço dos Estados Unidos de 50% imposto ao Brasil, além de representar uma guerra comercial entre nações, tornou-se também uma disputa na esfera política nacional. Em entrevista coletiva durante o tradicional Tá na Mesa da Federasul, deputados de oposição ao governo Lula e da base aliada trocaram farpas sobre o impacto que a medida norte-americana pode trazer à economia do Rio Grande do Sul.

Ao serem questionados sobre o tema, parlamentares marcaram posição.
O primeiro a falar foi o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo). Na avaliação dele, o país vive um cenário de insegurança jurídica diante das decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
— Acho importante a gente separar essa discussão do Bolsonaro, apesar de entendermos que, de fato, é difícil, uma vez que o próprio Donald Trump colocou o nome do Bolsonaro na primeira carta anunciando o tarifaço. Por que é importante separar a discussão Bolsonaro x Lula nessa questão? Porque a gente tem que ir aos fatos e à solução.
Estamos tratando da solução e esse contexto implica justamente entender que o Brasil precisa voltar a ser respeitado como um Estado Democrático de Direito, um país onde as leis e a Constituição de fato valem — afirmou Van Hattem.
Seguindo uma linha similar à de Van Hattem, o deputado federal Maurício Marcon (Podemos) responsabilizou Moraes e o Planalto pelo impasse com os EUA, minimizando o papel da família Bolsonaro no agravamento da crise com os americanos:
— Não foi o Bolsonaro que chamou o Donald Trump de nazista, e não foi o Bolsonaro que tentou intervir na Justiça americana e no país americano. Então, tem que cuidar muito com a narrativa de que a culpa é do Bolsonaro pelas tarifas.
Para o deputado Alexandre Lindenmeyer (PT), as instituições brasileiras estão funcionando normalmente. O parlamentar considera que o presidente dos Estados Unidos não age apenas contra o Brasil, mas contra outros países, impondo sanções que impactam de forma significativa o sistema econômico das nações.
— Não se trata de uma questão de taxação apenas em relação ao Brasil. Trata-se de uma postura que o governo americano tem adotado em relação a diversos países, com proporções diferentes. Quando se fala, por exemplo, em uma taxação de 35% ao Canadá, ou em relação aos produtos do Japão, da União Europeia, do México e de outros países, isso mostra que o foco principal não é necessariamente o Brasil, mas sim aquele slogan: “América em primeiro lugar” — avaliou.
Ao responder ao questionamento da Acústica FM, o deputado federal Ronaldo Nogueira (Republicanos) fez uma crítica direta ao presidente Lula. Segundo Nogueira, o chefe do Executivo nacional está se comportando de forma diferente em relação aos mandatos anteriores, o que, na avaliação dele, acentua o impasse:
— O que o Brasil tem demonstrado para o mundo? Que não há estabilidade política. E a estabilidade política também é um pilar fundamental para o desenvolvimento.
Outro ponto é a estabilidade da moeda. O Brasil tem uma moeda frágil, uma das taxas de juros mais altas do mundo, e me parece que, apesar da divergência ideológica com o presidente Lula, o Lula deste terceiro mandato é totalmente diferente daquele dos dois primeiros.
Eu não sei quais são os conselheiros que estão ao redor dele, mas estão induzindo o presidente a falas desastrosas, que comprometem o Brasil no campo internacional, fragilizando a diplomacia do país.
Também participou do Tá na Mesa de hoje o deputado Zucco (PL), que não integrou a coletiva.
O tema desta edição do evento foi: Ações Estratégicas e Prioritárias de Reerguimento do RS. A reunião-almoço ocorre todas quartas-feiras na sede da Federasul em Porto Alegre.



