Na manhã desta segunda-feira (28), o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), Eduardo Neubarth Trindade, concedeu entrevista à Rádio Acústica FM para falar sobre a reinauguração da sede regional do Conselho em Pelotas. A iniciativa, segundo o médico, faz parte de um esforço para valorizar e apoiar os profissionais que atuam fora das grandes cidades, reconhecendo os desafios enfrentados no interior do estado.

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Durante a conversa, Trindade destacou a importância da regionalização da saúde como estratégia para combater problemas crônicos, como a superlotação das emergências hospitalares. Para ele, investir em melhores condições de trabalho e na valorização dos médicos que atuam no interior é fundamental para garantir atendimento de qualidade à população e evitar a sobrecarga dos grandes centros.
Crítica à terceirização e defesa do vínculo direto
O vice-presidente do Cremers fez duras críticas à terceirização dos serviços médicos, prática que, segundo ele, precariza o vínculo dos profissionais com as instituições, gera atrasos nos pagamentos e não garante direitos trabalhistas básicos. “Quando o médico é contratado por empresas intermediárias, perde-se o compromisso e a segurança no trabalho, o que reflete diretamente na qualidade do atendimento à população”, afirmou.
Ele também ressaltou que o sistema de saúde funciona de forma integrada e que falhas em uma cidade acabam impactando toda a região, agravando gargalos e aumentando a demanda em outros municípios. “O problema não é isolado. Se um município não consegue atender, a fila cresce em outro”, alertou.
Atenção primária como saída para o caos
Ao projetar o futuro da saúde caso o atual cenário não mude, Dr. Eduardo foi enfático: “Se nada for feito, teremos caos, filas intermináveis e baixa resolutividade.” Para evitar esse colapso, ele defende o fortalecimento da atenção primária, com médicos de família vinculados à população e postos de saúde melhor estruturados, inspirando-se em modelos de países como Inglaterra e Alemanha. “Aqui, a falta de investimento em atenção básica faz com que até casos simples acabem nas emergências, sobrecarregando o sistema”, explicou.
Remuneração do SUS e pressão popular
Outro ponto abordado foi a defasagem da tabela de remuneração do Sistema Único de Saúde (SUS), que, segundo Trindade, torna insustentável a prestação de serviços por hospitais filantrópicos. Ele citou o exemplo de São Paulo, onde um complemento estadual à tabela SUS ajudou a melhorar o financiamento das instituições. “É fundamental que a população cobre dos políticos soluções para o financiamento e estruturação do sistema de saúde. Só com pressão popular conseguiremos mudanças reais”, destacou.
Confira a entrevista com o vice-presidente do Cremers na íntegra:



