Economia

Tarifas de Trump podem encarecer medicamentos no Brasil

Retaliações comerciais dos EUA ameaçam importação de produtos farmacêuticos

Os medicamentos e produtos farmacêuticos lideram as importações do Brasil dos Estados Unidos neste ano, uma relação que, até o momento, não foi diretamente afetada pelo tarifamento imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros. No entanto, especialistas alertam que uma eventual retaliação do Brasil pode elevar os custos de itens essenciais, como medicamentos para câncer e doenças raras, agravando o cenário de acesso à saúde no país.

Tarifas de Trump podem encarecer medicamentos no Brasil
Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Sobre os riscos para o setor com as tarifas de Trump

Dados do setor indicam que, em 2022, o Brasil importou quase US$ 10 bilhões em produtos médicos, incluindo reagentes, instrumentos cirúrgicos e aparelhos de alta tecnologia, com grande parte vindo dos Estados Unidos. A possibilidade de uma resposta brasileira às tarifas americanas preocupa o segmento, que teme o aumento de preços e a necessidade de buscar alternativas em países como China, Índia e Turquia. Segundo Paulo Fraccaro, CEO da Associação Brasileira de Indústria de Dispositivos Médicos, uma medida de reciprocidade poderia elevar os preços desses produtos em até 30%, impactando o mercado interno.

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A questão das tarifas de Trump se torna ainda mais sensível no caso de medicamentos patenteados, especialmente aqueles destinados a doenças raras ou com alta tecnologia. Os Estados Unidos figuram entre os principais fornecedores desses medicamentos ao Brasil, e uma guerra tarifária poderia encarecer ainda mais esses itens, dificultando o acesso de pacientes a tratamentos essenciais. No primeiro semestre deste ano, o Brasil importou US$ 4,3 bilhões em medicamentos de alto custo e produtos farmacêuticos, um aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2022. A União Europeia responde por cerca de 60% dessas compras, enquanto Alemanha e Estados Unidos representam aproximadamente 15% cada.

Apesar de a maior parte dos medicamentos genéricos ser produzida no Brasil, a dependência de insumos importados é significativa: 95% dos componentes utilizados na fabricação vêm da China. Para Norberto Prestes, presidente-executivo da Associação Brasileira de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), é fundamental investir na pesquisa e na produção nacional. “Temos pesquisadores brilhantes que muitas vezes acabam indo para o exterior. Precisamos reter esses talentos e fortalecer nosso sistema para aumentar a soberania nesse setor”, afirma Prestes, destacando a urgência de ações que garantam autonomia tecnológica e de produção no país.

Tags: Brasil, Estados Unidos, EUA, medicamentos, remédio, Saúde, Trump