As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros devem atingir diretamente a economia gaúcha. Um estudo do Instituto Fecomércio, coordenado pelo economista Martin Bauer Calvete, identificou que 9% das exportações do Rio Grande do Sul têm como destino o mercado americano.

A análise considerou os impactos regionais das medidas. Em valores absolutos, a Região Metropolitana de Porto Alegre será a mais afetada. No entanto, em relação à renda, Santa Cruz do Sul lidera. As exportações ao país norte-americano representam 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do município em 2024.
Os setores mais prejudicados são o de calçados e o de tabaco. A indústria calçadista do Vale dos Sinos, segunda região mais impactada em termos de renda, deve sentir fortemente os efeitos das novas tarifas. Já o tabaco, cuja produção se concentra no entorno de Santa Cruz, responde por 39 mil toneladas exportadas aos EUA, equivalentes a US$ 270 milhões.
Segundo Calvete, há municípios como Cruzeiro do Sul e Hulha Negra que, embora não tenham grande produção industrial, funcionam como centros logísticos de exportação. Em alguns casos, 60% do PIB local está ligado à atividade exportadora.
A cadeia da carne bovina também pode ser afetada, ainda que de forma indireta. Mesmo com exportações pontuais para os EUA, a expectativa é de queda na receita com vendas internas, devido ao excesso de oferta e à perda de mercados com maior valor agregado.
Já os setores de móveis e celulose, concentrados em cidades como Caxias do Sul e Guaíba, parecem menos expostos. O alívio, porém, não é garantido. A diferença entre os sistemas de nomenclatura usados por Brasil e Estados Unidos dificulta a interpretação das listas de exceções tarifárias. Enquanto parte da madeira exportada segue taxada, itens como celulose e componentes de caminhões foram isentados.
Calvete alerta para o efeito em cadeia. A perda de renda em municípios exportadores deve comprometer o consumo em todo o Estado. Segundo ele, os impactos ainda são difíceis de medir com precisão, mas exigem atenção de empresários e gestores públicos nos próximos meses.




