A presidente do Sindicato dos Professores e Trabalhadores em Educação (Cpers), Rosane Zan, criticou o “Programa de Reconhecimento da Educação Gaúcha”, apresentado pelo governador Eduardo Leite no Teatro da Feevale, em Novo Hamburgo. A medida prevê o pagamento de uma espécie de 14º salário a professores e gestores que atingirem metas definidas pela Secretaria Estadual da Educação.

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Em entrevista à Rádio Acústica FM, nesta quinta-feira (14), Rosane afirmou que o modelo meritocrático “não é compatível” com a educação pública e cria divisões dentro das escolas. “A escola é um espaço de humanização. Estabelecer metas pode gerar competição interna e privilegiar apenas algumas disciplinas, como português e matemática, em detrimento de outras áreas do conhecimento”, disse.
A dirigente sindical alertou para possíveis distorções, como a concentração de recursos em escolas com melhores resultados e a exclusão de aposentados, que não seriam contemplados. Segundo ela, muitos professores inativos estão há mais de uma década sem reajuste salarial. “Existe dinheiro para investir na educação, mas a valorização deveria ser linear, para todos os profissionais”, afirmou.
Rosane também apontou riscos de sobrecarga de trabalho e aumento do adoecimento entre docentes, devido à pressão por resultados. Ela defendeu investimentos em formação continuada e melhoria das condições de ensino, sem atrelar ganhos salariais ao desempenho.
O Cpers pede reposição inflacionária de 12,14% para toda a categoria e participará, nesta sexta-feira (15), de ato público em Porto Alegre organizado pela Frente dos Servidores Públicos. A entidade não descarta convocar assembleia geral para decidir os próximos passos da mobilização.
Secretária da Educação afirma que a bonificação não está ligada a critérios de meritocracia
Em contraponto ao Cpers, a secretária de Educação do Rio Grande do Sul, Raquel Teixeira, afirmou que o programa estadual Programa de Reconhecimento da Educação Gaúcha não está ligado a critérios de meritocracia, mas ao reconhecimento da evolução interna de cada unidade. Segundo ela, a medida prevê incentivos financeiros com base na frequência dos alunos e no avanço registrado nos indicadores de aprendizagem.
Raquel destacou que as metas foram definidas no início do ano e já eram conhecidas por todos os diretores. A avaliação considera o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que, conforme ela, “não é um número ou um ranking, mas a síntese do que o aluno aprendeu”.
A secretária destacou que a bonificação valoriza o progresso da própria escola em relação ao seu desempenho anterior, sem comparação com outras unidades. Ela também rebateu críticas do Cpers, que defende a distribuição linear dos recursos. Para a secretária, a proposta busca estimular qualidade e equidade no ensino, em linha com práticas adotadas em outros estados e países.
Confira a entrevista com a presidente do CPERS na íntegra:



