Piscicultura

Piscicultor defende repovoamento de peixes na barragem do Arroio Duro

A proposta surge em meio ao debate sobre novas regras que incluem a restrição à pesca profissional nas barragens do município

O piscicultor Gelson Amorim, de Sentinela do Sul, defende a liberação anual de dezenas de milhares de alevinos na barragem do Arroio Duro, em Camaquã, como forma de aumentar a oferta de peixes nas barragens e incentivar a pesca esportiva e amadora. A proposta surge em meio ao debate sobre novas regras que incluem a restrição à pesca profissional nas barragens do município.

Piscicultor defende repovoamento de peixes nas barragens. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.
Piscicultor defende repovoamento de peixes nas barragens. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.

Em entrevista à Rádio Acústica FM nesta sexta-feira (15), Amorim sugeriu que a barragem, hoje utilizada principalmente para irrigação, seja também um espaço de produção pesqueira controlada. Ele defende a soltura de 30 mil a 50 mil alevinos por ano e a criação de regras que protejam as espécies durante o período de reprodução, entre outubro e janeiro, quando a pesca deveria ser restrita. O piscicultor foi ouvido para colaborar com o debate em razão de sua experiência no ramo.

Controle e preservação

Para que o repovoamento funcione, o piscicultor destaca a necessidade de fiscalização rigorosa. Entre as medidas, propõe a proibição do uso desregrado de redes, ou a exigência de malhas maiores, evitando a captura de peixes jovens. Também defende que pescadores devolvam à água os exemplares menores ou abaixo do peso ideal.

Potencial econômico e turístico

Segundo Amorim, a liberação de peixes nas barragens pode estimular atividades econômicas, como campeonatos de pesca, turismo de pesca esportiva, criação em tanques-rede e sistemas de aquaponia. Ele também sugere a formação de cooperativas para comercializar produtos derivados, como artesanato feito com escamas.

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Contexto e divergências

A Prefeitura de Camaquã avalia restringir a pesca artesanal e profissional na barragem do Arroio Duro, alegando necessidade de preservar estoques e promover o uso recreativo. A medida é apoiada por autoridades ambientais, mas gera resistência entre pescadores que dependem da atividade para subsistência.

Um projeto de lei para regulamentação da pesca foi protocolado na Câmara de Vereadores e está em debate.

Piscicultura em Sentinela do Sul abastece mercado do Chuí ao Paraná

Com 28 anos de experiência na piscicultura, Gelson Amorim comanda a Piscicultura Amorim, em Sentinela do Sul. A propriedade ocupa 14 hectares, dos quais 85% são lâmina d’água, e mantém 34 tanques para criação de peixes.

O empreendimento possui laboratório e incubadoras para reprodução, realizada de setembro a janeiro e, para algumas espécies, até março. O processo usa métodos naturais, como a aplicação da glândula pituitária extraída de outros peixes.

Piscicultura Amorim. Foto: Arquivo Pessoal.
Piscicultura Amorim. Foto: Arquivo Pessoal.

Entre as espécies criadas estão carpa, jundiá, traíra, trairão, dourado, piava e grumatã. A empresa comercializa alevinos para uma região que se estende do Chuí até o Paraná.

A Piscicultura Amorim oferece ainda um sistema de recompra garantida, que assegura mercado para os peixes adultos adquiridos por outros produtores. Gelson avalia incluir camarão de água doce na produção, aposta que considera de alto valor comercial.

Entrevista completa está disponível no YouTube da Rádio Acústica FM

 

 

Tags: Barragens, Peixes, Piscicultura