Luto na arte

Morre Luis Fernando Verissimo, cronista e escritor de destaque na literatura brasileira

Autor deixou legado de mais de 80 livros e contribuições para jornais, além de atuação na música

Luis Fernando Verissimo faleceu na noite deste sábado, dia 30 de agosto, aos 88 anos. O escritor estava internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, há quase duas semanas. A confirmação da morte foi feita por meio de nota oficial do hospital.

Morre Luis Fernando Verissimo, cronista e escritor de destaque na literatura brasileira
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Verissimo deixa a esposa, Lucia Helena, os filhos Pedro, Mariana e Fernanda Verissimo, além de netos Lucinda e Davi. O autor enfrentava um quadro de pneumonia e, desde janeiro de 2021, lidava com problemas de saúde decorrentes de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido naquele ano. Segundo informações da família, ele foi internado no início de agosto e sua condição se agravou no dia 17, permanecendo na Unidade de Terapia Intensiva até o falecimento.

Ainda não há detalhes oficiais sobre o velório, mas há possibilidade de que seja realizado na Assembleia Legislativa de Porto Alegre.

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Luis Fernando Verissimo deixa legado literário

Filho do escritor Erico Verissimo e de Mafalda Verissimo, Luis Fernando Verissimo nasceu em 26 de setembro de 1936. Parte de sua infância e adolescência foi vivida nos Estados Unidos, devido a compromissos profissionais do pai, que atuou como professor na Universidade da Califórnia em Berkeley e como diretor cultural da União Pan-americana em Washington, D.C. Durante esse período, cursou parte do ensino primário em San Francisco e Los Angeles, e concluiu o ensino secundário na Roosevelt High School, em Washington.

Seguindo os passos do pai, Verissimo construiu carreira na literatura, destacando-se por suas crônicas, contos e poemas. Na década de 1980, além de seu personagem mais conhecido, “O Analista de Bagé”, publicou obras como “Sexo na Cabeça”, “A Mesa Voadora”, “O Jardim do Diabo” e “Orgias”. Nos anos 1990, lançou títulos como “O Santinho”, “A Eterna Privação do Zagueiro Absoluto”, “Gula – O Clube dos Anjos” e “Histórias Brasileiras de Verão”. Na década de 2000, publicou “A Décima Segunda Noite”, “Banquete Com Os Deuses”, “Comédias Para Se Ler Na Escola” e “Os Espiões”. Recentemente, lançou obras como “Diálogos Impossíveis” e “Os Últimos Quartetos de Beethoven e Outros Contos”.

Ao todo, Luis Fernando Verissimo possui mais de 80 livros publicados, com quase 6 milhões de cópias vendidas. Entre suas obras mais vendidas estão “As Mentiras Que Os Homens Contam”, “Comédias Para Se Ler na Escola”, além de “O Analista de Bagé” e “Comédias da Vida Privada”. Além de sua produção literária, colaborou com colunas em jornais como O Estado de S. Paulo, Zero Hora e O Globo. Entre 1970 e 1975, trabalhou na Folha da Manhã, onde manteve uma coluna diária na página 4, abordando temas como esporte, cinema, literatura, música, gastronomia, política e comportamento, sempre com uma abordagem irônica e humorística.

Verissimo também integrou o grupo musical Jazz 6, criado em 1995 por iniciativa do contrabaixista Jorge Gerhardt. O grupo, considerado “o menor sexteto do mundo”, tinha cinco integrantes, incluindo Verissimo no saxofone. Com uma discografia que inclui cinco álbuns, o grupo realizou apresentações e contribuiu para a cena musical com obras como “Agora é a Hora”, “Speak Low”, “A Bossa do Jazz”, “Four” e “Nas Nuvens”.

Tags: Cultura, Luis Fernando Verissimo, Morte, Obituário, Rio Grande do Sul