O homem suspeito de matar e esquartejar uma mulher em Porto Alegre deve ser ouvido pela Polícia Civil até o final desta semana.

Segundo o delegado Mário Souza, os investigadores concentram esforços para localizar o crânio da vítima, que ainda não foi encontrado.
Ela foi identificada como Brasília Costa, de 64 anos. Além da busca pela parte que falta do corpo, a polícia aguarda o resultado das perícias em dois segmentos de pernas localizados no Guaíba, no último fim de semana. A suspeita é de que também pertençam à mesma mulher.
“Esses dois segmentos estão sendo apurados pela perícia, pelo IGP, e assim que tivermos condições de informar, comunicaremos oficialmente. Mas, pelo que os policiais civis têm até o momento, tratam-se de partes da mesma vítima”, completou o diretor do DHPP de Porto Alegre.
As diligências incluem análise de câmeras de segurança e laudos do Instituto-Geral de Perícias. Até o momento, as evidências apontam que o suspeito agiu sozinho, embora os investigadores não descartem completamente a participação de outra pessoa.
Mario Souza destaca que o suspeito é articulado e usou essa caraterística como ferramenta para atrair a vítima
“O perfil, é importante dizer, não é um elogio nem uma crítica. Quando a Polícia Civil traça um perfil, trata-se de uma análise objetiva das ferramentas que um criminoso utiliza no crime.
Esse suspeito demonstrou, desde o primeiro contato com os policiais e também no decorrer das investigações, traços de uma pessoa com nível de educação elevado, capaz de construir relações com vizinhos e amigos — o que aparece, por exemplo, em imagens dele no comércio conversando, sorrindo e interagindo bem com as pessoas.
Ele tem grande capacidade de articulação. Essas são ferramentas que ele possui e que certamente utilizou para atrair a vítima e depois cometer o crime.
Não significa que estamos fazendo um elogio. Algumas pessoas ainda não entenderam isso, e é importante reforçar: são características objetivas, não qualificações positivas.”
A vítima
Trata-se de Brasília Costa, de 64 anos, conhecida como Bia. A identificação ocorreu por meio de DNA comparativo analisado pelo Instituto-Geral de Perícias.
Partes do corpo dela foram localizadas em sacos plásticos na zona leste da Capital e também dentro de uma mala abandonada na rodoviária, no dia 20 de agosto.
Natural de Arroio Grande, Brasília morava na zona norte e trabalhava como manicure.
O principal suspeito é Ricardo Jardim, de 66 anos, preso preventivamente na semana passada. Ele já havia sido condenado a 28 anos de prisão por matar a própria mãe, em 2015, mas estava foragido desde o início deste ano.
Segundo a investigação, o crime foi planejado e teria acontecido no quarto de uma pousada onde o casal vivia. Depois, o corpo foi esquartejado e espalhado em diferentes locais da cidade.
A perícia confirmou a presença do DNA de Jardim nos sacos usados para transportar os restos mortais. Exames complementares devem apontar a causa da morte.
A polícia trata o caso como feminicídio com motivação financeira
Confira a íntegra da entrevista com o Delegado Mário Souza




