caso de racismo

Advogada expõe caso de racismo de professora contra aluna em Camaquã

Coordenadoria Regional de Educação afirma ter enviado pedido de afastamento da professora investigada por racismo

Uma professora da rede estadual de ensino em Camaquã deve ser afastada das atividades em sala de aula após denúncias de racismo, homofobia e doutrinação ideológica. Em entrevista à Rádio Acústica FM nesta quinta-feira (11), a advogada da família de uma aluna de 13 anos relatou que a estudante sofreu constrangimento psicológico devido às falas da docente durante as aulas.

Advogada expõe caso de racismo de professora contra aluna em Camaquã. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.
Advogada expõe caso de racismo de professora contra aluna em Camaquã. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.

As ocorrências foram registradas em junho. O episódio que motivou a denúncia ocorreu após uma aluna questionar a professora sobre diferenças de cor da pele. Segundo o relato, a docente respondeu de forma equivocada, afirmando que a tonalidade seria determinada pelo local de nascimento e proximidade com o mar, chegando a concordar com a sugestão de que “banho de cloro” poderia deixar alguém branco.

A advogada Lillian Bartz, que representa a família, afirmou que este não foi um caso isolado. Segundo ela, a professora já apresentava falas distorcidas sobre história e geografia havia pelo menos três anos. Entre os exemplos citados estão: minimizar o sofrimento dos negros na escravidão, comentários homofóbicos sobre autoridades e estudantes, além de inserção de opiniões políticas em conteúdos escolares.

Impactos na aluna e na comunidade escolar

A estudante relatou medo e desconforto com a presença da professora, o que prejudicou seu desempenho escolar. Ela teria passado a evitar ambientes comuns, como o banheiro da escola, quando a docente estava por perto.

A direção afastou a professora das turmas da aluna e da irmã mais nova, mas isso resultou em duas classes sem aulas regulares de determinadas disciplinas há três meses. A permanência da docente no prédio da escola também preocupava a família, pois não havia como evitar o contato entre professora e aluna em uma instituição de pequeno porte.

O que diz a Secretaria Estadual de Educação

Em nota enviada à Rádio Acústica FM, Secretaria Estadual de Educação informou que acompanha o caso através da 12ª Coordenadoria Regional de Educação e que a família vem recebendo acompanhamento do Núcleo de Cuidado e Bem-Estar Escolar. Também teria sido realizado trabalho de escuta com os colegas da turma.

O coordenador regional de Educação, Filipe Quadros, confirmou que enviou o pedido de afastamento da professora na quarta-feira (10) e que será iniciado o processo de contratação de uma nova profissional para assumir a disciplina.

A Secretaria da Educação reforçou que mantém programas permanentes de combate ao racismo, incluindo o Protocolo de Prevenção e Combate à Violência Racial, ações de formação antirracista para professores e implementação das Escolas Referência Antirracista.

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Leia a nota na íntegra:

A Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (SEDUC-RS) informa que acompanha o caso por meio da 12ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e que desde o ocorrido o estudante e sua família têm sido acolhidos por meio do Núcleo de Cuidado e Bem-Estar Escolar, e também foi realizado trabalho de escuta e acompanhamento com a turma, com o objetivo de promover um ambiente escolar seguro, respeitoso e acolhedor para todos.

A SEDUC-RS reitera que desenvolve um trabalho contínuo e comprometido com a promoção de uma educação antirracista, por meio do Programa de Educação Antirracista, que possibilitou o desenvolvimento do Protocolo de Prevenção e Combate à Violência Racial, das ações do Núcleo de Políticas Educacionais para Equidade e da articulação da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEEQR), contemplando as seguintes diretrizes:

Identificação, prevenção e resposta a situações de violência racial;

Acolhimento e acompanhamento de estudantes e familiares em casos de discriminação;

Formação de educadores para práticas antirracistas;

Valorização da diversidade no currículo escolar;

Implementação das Escolas Referência Antirracista, com foco em equidade, direitos humanos e justiça social.

A SEDUC-RS reafirma seu compromisso com o combate a todas as formas de discriminação e com a construção de uma rede estadual de ensino que assegure respeito, dignidade e inclusão de todos os estudantes.

Importância da denúncia

A advogada Lillian Bartz destacou que o silêncio diante de situações de racismo, homofobia e preconceito em sala de aula fortalece a impunidade. Ela defendeu a responsabilização judicial da professora e medidas que assegurem proteção à aluna.

O nome da escola não está sendo divulgado para preservar a instituição e a vítima.

Entrevista da advogada está disponível no YouTube da Rádio Acústica FM

 

Tags: Camaquã, Escola, Racismo