A mãe de uma estudante de 14 anos denunciou um episódio de racismo ocorrido em uma escola estadual de Camaquã. O caso foi apresentado nesta quarta-feira (17) em uma oitiva da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. O relato foi feito por Karla Bethiny, que foi convidada pela deputada estadual Bruna Rodrigues (PCdoB) para expor a situação. A sessão foi transmitida ao vivo pelo canal oficial da assembleia.

Ao iniciar seu depoimento, Karla afirmou ter magistério e nutrir admiração aos profissionais da educação, sem a intenção de generalizar as críticas.
O que teria acontecido na escola
Segundo o depoimento, o caso ocorreu em junho, durante uma aula em que estudantes questionaram a professora sobre diferenças na cor da pele. De acordo com o relato, a docente afirmou que a tonalidade estaria relacionada ao local de nascimento e à proximidade com o mar. Na sequência, teria concordado com a sugestão de que um “banho de cloro” poderia deixar uma pessoa branca.
A professora foi afastada da sala de aula após a repercussão do caso, mas permaneceu na escola por cerca de três meses. De acordo com a mãe, apenas após denúncias públicas feitas à imprensa, incluindo à Rádio Acústica FM, foi afastada da instituição.
Durante a audiência, a mãe relatou que a mesma professora fazia comentários depreciativos em sala de aula, se referindo ao governador Eduardo Leite (PSD) como “bichinha”.
O impacto na vítima de racismo
Karla Bethiny relatou que a filha está em acompanhamento psicológico semanal, custeado pela família. Laudos apresentados à comissão mostram que a adolescente tem enfrentado dificuldades e que há risco de culpa e abandono escolar.
“Ela precisa entender que é negra, que pode estudar e que pode estar no lugar que quiser”, afirmou a mãe, destacando a preocupação com a saúde mental da estudante.
Críticas à direção e ao Estado
A mãe acusa a direção da escola de conivência e omissão, afirmando que nunca recebeu contato após o ocorrido. Também questionou a atuação da 12ª Coordenadoria Regional de Educação, que, segundo ela, limitou suas ações a enviar representantes de Recursos Humanos para conversar com a família. Segundo a mãe da vítima, os alunos da escola estão sem professor na disciplina que era lecionada pela professora afastada.
Bethiny disse ainda que a professora continua atuando na rede municipal em outro turno e pediu que a Secretaria de Educação do município também se manifeste. “Um racista de manhã é um racista de tarde”, declarou.
Reivindicações e mobilização
Karla pede medidas que ampliem o combate ao racismo nas escolas. Segundo ela, não bastam ações pontuais: é necessário promover palestras, depoimentos e falas de pessoas negras que alcançaram posições de destaque.
Após a denúncia, a mãe afirma ter recebido mais de 3 mil mensagens, incluindo relatos de cerca de 400 pais que afirmam ter vivenciado situações semelhantes. Nomes e provas foram entregues à Comissão de Direitos Humanos.
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A deputada Luciana Genro (PSOL) também sugeriu que a família busque reparação financeira contra o Estado.
Próximos passos
A Comissão de Direitos Humanos deve avaliar encaminhamentos a partir das denúncias de racismo e homofobia apresentadas. A Secretaria Estadual de Educação informou, em nota enviada na semana passada à Rádio Acústica FM, que acompanha a situação. O coordenador regional de educação, Filipe Quadros, declarou que a professora foi afastada das atividades na escola.
A redação entrou novamente em contato com a 12ª CRE, mas não obteve atualizações do caso até o momento.
Depoimento completo da mãe da vítima de racismo está disponível no YouTube da Rádio Acústica FM



