Saúde

Trato urinário: sintomas comuns podem indicar doenças graves, alerta Rafael Fraga

Segundo o urologista, queixas como jato fraco de urina, ardência, gotejamento após urinar e sensação de bexiga cheia estão entre as mais comuns nos consultórios

O urologista Rafael Fraga faz um alerta: sintomas do trato urinário, muitas vezes ignorados, podem indicar doenças que comprometem a qualidade de vida e até a função dos rins. As queixas são comuns entre homens e mulheres e aparecem com frequência nos consultórios.

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Foto: Alice Campos/Acústica FM

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Entre os sinais mais relatados estão jato urinário fraco, esforço para urinar, ardência, gotejamento após o término da micção, vontade de urinar várias vezes seguidas e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.

“Quando o paciente chega dizendo que ‘não está urinando bem’, precisamos entender se há perda de força no jato, dor, demora para começar a urinar ou sensação de bexiga cheia”, explica o médico. “Esses detalhes ajudam a identificar a origem do problema, que pode estar na bexiga, na uretra ou na próstata, no caso dos homens.”

Diagnóstico precoce evita complicações

De acordo com Fraga, os sintomas do trato urinário inferior podem estar ligados a doenças simples, como infecções, mas também a condições graves. Entre as causas mais comuns estão o crescimento benigno da próstata (hiperplasia prostática), estenose de uretra (estreitamento do canal da urina) e tumores na bexiga.

O médico cita o caso de um paciente de 80 anos que apresentava jato fraco, ardência e dificuldade para urinar. “Ao examiná-lo, percebemos que havia um estreitamento na ponta do pênis, causado por uma infecção sexualmente transmissível antiga. Ele também tinha uma próstata aumentada e um tumor na bexiga, descoberto no ultrassom. São três doenças distintas provocando sintomas semelhantes”, relatou.

Fraga lembra que o tabagismo é um dos principais fatores de risco para o câncer de bexiga. “Pacientes que fumam por muitos anos acumulam substâncias tóxicas eliminadas pela urina, o que aumenta a chance de desenvolver tumores”, afirma.

Exames modernos ajudam na investigação

O diagnóstico depende da combinação de exames clínicos e de imagem. Segundo o especialista, a ecografia (ultrassom) e o fluxometria urinária são os primeiros passos. Quando há suspeita de alterações mais graves, o médico pode indicar cistoscopia, exame que introduz uma microcâmera pela uretra para visualizar o interior da bexiga.

No caso dos homens, também se avalia a próstata. Além do toque retal e da dosagem do PSA (antígeno prostático específico), o exame mais completo é hoje a ressonância magnética multiparamétrica, que permite identificar nódulos suspeitos e orientar biópsias com maior precisão.

“Há sete anos não usávamos a ressonância para avaliar a próstata. Hoje, ela é o padrão, e nos ajuda a detectar lesões em fase inicial”, diz Fraga.

Tratamento depende da causa

O tratamento varia conforme o diagnóstico. Casos de estreitamento da uretra exigem dilatação ou pequenas cirurgias endoscópicas. Tumores de bexiga são retirados por meio de procedimento minimamente invasivo, realizado com uma microcâmera introduzida pela uretra. Já a hiperplasia prostática pode ser tratada com medicamentos ou cirurgia, dependendo do grau de obstrução.

“Não há remédio que resolva o estreitamento do canal da urina. É preciso intervir mecanicamente para abrir o canal e permitir o fluxo normal”, explica o urologista.

Procurar ajuda é essencial

Fraga reforça que o avanço da medicina só faz diferença quando o paciente busca atendimento. “Muitos homens acreditam que urinar mal é parte do envelhecimento. Isso é um erro. O desconforto urinário pode ser sinal de algo sério”, alerta.

Ele recomenda que qualquer alteração seja investigada, mesmo que pareça leve. “O primeiro passo é procurar o clínico ou o urologista. Só com a avaliação correta é possível evitar complicações, como infecção urinária de repetição e perda da função renal.”

O médico conclui com um conselho direto: “A tecnologia está do nosso lado. Mas de nada adianta se o paciente não der o primeiro passo e procurar ajuda.”

Tags: Rafael Fraga, Trato urinário, Urologista