mobilidade urbana

Camaquã tem mais de 2 mil ciclistas diários e encara o desafio de integrar bicicletas ao trânsito

Levantamento aponta que 11,4% dos trabalhadores camaquenses utilizam bicicleta como principal meio de transporte

A bicicleta é o principal meio de transporte para 11,4% dos trabalhadores de Camaquã, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em setembro. O levantamento, que analisa o deslocamento até o trabalho, mostra que o uso da bicicleta supera o transporte coletivo no município, mas a infraestrutura cicloviária ainda é limitada: menos de 1% das vias possuem sinalização adequada para ciclistas.

Camaquã tem mais de 2 mil ciclistas diários e encara o desafio de integrar bicicletas ao trânsito. Foto: Pablo Bierhals/Rádio Acústica FM.
Camaquã tem mais de 2 mil ciclistas diários e encara o desafio de integrar bicicletas ao trânsito. Foto: Pablo Bierhals/Rádio Acústica FM.

Os dados foram coletados entre 2022 e 2023 e divulgados em 2025.

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Deslocamento diário sem ciclovia

O técnico em informática Rafael Muller percorre diariamente o trajeto entre o bairro Floresta e o Centro utilizando bicicleta. Ele escolheu o meio de transporte por ser mais econômico, mas avalia que a sinalização de trânsito ainda é insuficiente. O morador reconhece que o asfaltamento de ruas como a Presidente Vargas representa um avanço, embora considere que a estrutura voltada aos ciclistas ainda pode melhorar.

Ciclovias em expansão

Nos últimos três anos, Camaquã ampliou gradualmente sua malha cicloviária. Atualmente, o município conta com 2 quilômetros de ciclovia na Faixinha, 1,5 quilômetro na avenida José Loureiro da Silva e 500 metros na Major João Meireles, recentemente concluída. Para lazer, há ainda 600 metros de pista ciclável no Complexo Poliesportivo Ruy de Castro Netto.

Ciclovia da Loureiro. Foto: Pablo Bierhals/Rádio Acústica FM.

Segundo o secretário de Planejamento e Mobilidade Urbana, Rafael de Moura, os dados do IBGE refletem uma realidade anterior aos investimentos recentes. Ele afirma que houve avanços significativos desde 2022 e destaca que a ampliação da infraestrutura cicloviária é um processo contínuo, que depende de planejamento e da colaboração da comunidade.

A avenida Ayrton Senna, que liga o bairro Carvalho Bastos ao Distrito Industrial de Camaquã, está em obras para receber pavimentação asfáltica e uma ciclovia de 1,5 quilômetro, com investimento que ultrapassa R$ 7 milhões.

Segurança e falta de bicicletários

A segurança continua sendo uma das principais preocupações entre os trabalhadores que utilizam bicicleta. A camaquense Eliane, funcionária do Roxo Centro de Compras, já sofreu um acidente anos atrás, no bairro Hípico, ao ser surpreendida pela abertura de uma porta de carro estacionado. Hoje, ao se deslocar pela ciclovia da avenida José Loureiro da Silva, relata encontrar mais segurança no trajeto do bairro Carvalho Bastos até o trabalho.

Outro desafio é a ausência de bicicletários em boa parte das ruas e empresas. O Roxo Centro de Compras é um dos empreendimentos que mais emprega camaquenses na área central e é uma das poucas exceções, com estacionamento exclusivo para bicicletas de colaboradores. Entre os cerca de 300 funcionários, aproximadamente 30% utilizam bicicleta como meio de transporte diário. Em entrevista à Rádio Acústica FM, a empresária Carla Roxo afirmou que a empresa adotou a medida por identificar uma necessidade dos colaboradores.

Regras de trânsito e convivência

De acordo com Arthur Lemos, diretor do CFC Camaquense, ciclistas devem seguir as mesmas normas aplicadas aos demais veículos quando não há ciclovia, respeitando semáforos, preferenciais e o sentido da via. Em contrapartida, o instrutor reforça que os motoristas devem manter distância mínima de 1,5 metro ao ultrapassar uma bicicleta, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro.

Mobilidade urbana ainda é desafio

Apesar dos avanços, a mobilidade urbana segue como um dos principais desafios do crescimento de Camaquã. O levantamento do IBGE aponta que 23,5% dos trabalhadores se deslocam a pé, 8,7% utilizam ônibus, 15,2% motocicleta e 38,3% dependem do carro, o equivalente a mais de 8 mil pessoas.

Com o aumento da frota e o crescimento urbano, o planejamento voltado ao transporte ativo, que inclui bicicletas e deslocamentos a pé, é considerado essencial para garantir segurança, fluidez, inclusão e sustentabilidade no trânsito da cidade.