Saúde Pública

SUS Gaúcho injeta R$ 1 bilhão na saúde para reduzir filas de espera no Rio Grande do Sul

Fila da oftalmologia soma 94 mil pessoas aguardando atendimento e cirurgias de joelho, segunda maior fila do estado, totalizam 18 mil pessoas

A secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann, detalhou nesta segunda-feira (10), em entrevista à Rádio Acústica FM, as principais ações do SUS Gaúcho, programa que amplia investimentos e descentraliza serviços de saúde no Rio Grande do Sul. Com incremento de R$ 1 bilhão no orçamento estadual, o projeto busca diminuir filas de espera, valorizar serviços de urgência e emergência e atrair profissionais por meio de tabelas de pagamento diferenciadas.

SUS Gaúcho injeta R$ 1 bilhão na saúde para reduzir filas de espera no Rio Grande do Sul. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.
SUS Gaúcho injeta R$ 1 bilhão na saúde para reduzir filas de espera no Rio Grande do Sul. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.

De acordo com a secretária, o SUS Gaúcho aumentou em 40% o repasse às portas de entrada do sistema, como UPAs e hospitais de pronto atendimento, atendendo à diretriz do governador Eduardo Leite (PSD) de fortalecer a estrutura de urgência e emergência.

O programa também criou o Transporte Sanitário Eletivo, que auxilia municípios a deslocar pacientes para atendimentos especializados em outras cidades, reduzindo o número de faltas em consultas e exames.

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Cirurgias e consultas com nova tabela de pagamentos

Um dos eixos centrais do SUS Gaúcho é a redução das filas de espera, com prioridade para cirurgias de joelho e consultas de oftalmologia, as maiores demandas do estado.

Oftalmologia: maior fila do estado

A fila da oftalmologia soma 94 mil pessoas aguardando atendimento. Para enfrentar o problema, o programa passou a ofertar 2.658 novas consultas em três meses, número superior ao contrato vigente. O valor pago por consulta subiu de R$ 10 para R$ 270, incentivando especialistas a ampliar o número de atendimentos. Novos ambulatórios de especialidades estão sendo abertos em várias regiões, como em Farroupilha, que contará com cirurgias oftalmológicas.

Cirurgias de joelho

As cirurgias de joelho, segunda maior fila do estado, totalizam 18 mil pessoas. O programa prevê 48 cirurgias mensais em Camaquã e 41 em outros hospitais, com valores reajustados para R$ 11.784 por procedimento, contra R$ 9.400 na tabela tradicional do SUS.

A meta é atender 14 mil pacientes ainda em 2025.

Novos ambulatórios e descentralização de serviços

O Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Camaquã, foi um dos escolhidos para receber o novo ambulatório de dermatologia. A seleção das especialidades considerou vazios assistenciais, filas locais e potencial de regionalização.

Serão ofertadas 240 consultas mensais e procedimentos de remoção de sinais e lesões de pele, fundamentais para o diagnóstico precoce de câncer de pele, comum em regiões agrícolas com alta exposição solar.

Além da dermatologia, Camaquã continua referência em Traumato-Ortopedia, integrando a rede de especialidades regionais.

Próximas etapas e novos investimentos

Para 2026, o SUS Gaúcho prevê R$ 68 milhões adicionais para expandir o atendimento em urologia, cirurgia de quadril, cardiologia, neurologia e maternidades. Após zerar a fila das cirurgias de joelho, o objetivo é iniciar o atendimento da fila de cirurgias de quadril, ampliando a cobertura com a mesma lógica de pagamento diferenciado.

Segundo Arita Bergmann, o programa é um “grande guarda-chuva” que reúne ações de regionalização e descentralização. A secretária destacou que o foco é garantir atendimento mais próximo de casa e reduzir o deslocamento de pacientes para a capital.

Santa Vitória do Palmar foi citada como exemplo, onde pacientes percorriam 500 quilômetros três vezes por semana para hemodiálise. Agora, o serviço é prestado no próprio município.

Futuro político

Durante a entrevista, Arita Bergmann, filiada ao PSD, afirmou que coloca seu nome à disposição como pré-candidata a um cargo eletivo. No entanto, reforçou que só confirmará oficialmente a candidatura após deixar o cargo de secretária. Com passagem pelos governos Ieda Crusius, Germano Rigotto e Eduardo Leite, Arita disse ter “orgulho de fazer gestão pública” e avalia que o Legislativo pode ser “um caminho futuro”.

A secretária destacou que sua prioridade atual é a gestão da saúde estadual, com foco em implementar e consolidar os novos serviços do SUS Gaúcho.