Representantes da cadeia produtiva do tabaco foram impedidos de acompanhar as sessões da 11ª Conferência das Partes (COP 11), que discute políticas globais de controle do tabaco, realizada na Suíça nesta semana. Rangel Marcon, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores da Indústria do Tabaco (Fentitabaco), que representa cerca de 50 mil trabalhadores do setor em quatro estados, está entre os representantes impedidos de entrar na conferência.

Segundo Marcon, a delegação da federação não teve autorização para ingressar nas sessões, nem como observadora. A decisão foi classificada como um desrespeito à atividade legal desenvolvida no país.
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A Fentitabaco representa trabalhadores de toda a cadeia produtiva, da assistência técnica aos produtores rurais até o embarque da mercadoria nos portos. O setor exporta a maior parte de sua produção e integra a economia de municípios do Sul do Brasil, responsáveis por grande parte das divisas geradas pelo produto.
Setor defende participação do “tripé” do tabaco na COP 11
Marcon afirmou que o debate internacional deveria incluir os três segmentos que compõem a cadeia: produtores rurais, indústria e trabalhadores. Segundo ele, decisões tomadas sem ouvir essas partes podem gerar impactos diretos nas famílias que dependem do cultivo e do processamento do tabaco.
Para o dirigente, a ausência de diálogo impede que a federação acompanhe o conteúdo das propostas discutidas e limita a possibilidade de apresentar dados sobre emprego, renda e características da produção brasileira.
Setor do tabaco destaca legalidade da atividade
O presidente da federação reforçou que a produção e o processamento de tabaco são atividades permitidas por lei no Brasil, reguladas e fiscalizadas pelos órgãos competentes. Ele argumenta que a exclusão de representantes do setor na COP 11 contrasta com esse reconhecimento legal.
Marcon também afirmou que decisões unilaterais podem desconsiderar efeitos socioeconômicos relevantes, como o impacto sobre trabalhadores e municípios que dependem do cultivo, além da participação do Brasil no mercado internacional.
Repercussão e etapas paralelas na Suíça
Mesmo barrados das sessões principais, representantes da cadeia produtiva do tabaco participarão de reuniões paralelas na Suíça, organizadas por entidades do setor. Os encontros buscam acompanhar as negociações da COP 11, analisar propostas e articular posicionamentos técnicos com países envolvidos no comércio internacional.
A COP 11 integra a Convenção-Quadro para Controle do Tabaco, tratado da Organização Mundial da Saúde (OMS) voltado à adoção de medidas de redução do consumo. O Brasil é signatário desde 2005. Nas conferências, países discutem diretrizes sobre produção, comércio, tributação e políticas de saúde relacionadas ao tabaco.
As reuniões costumam restringir a participação de grupos ligados à indústria, o que gera divergência entre entidades produtivas e representantes da saúde pública.
As deliberações da COP 11 devem ser concluídas ao longo da semana. Entidades brasileiras da cadeia produtiva afirmam que seguirão monitorando o impacto das resoluções e defendem espaço para participação técnica nas decisões que afetam trabalhadores, produtores e municípios dependentes do setor.
A cobertura da Rádio Acústica FM conta com apoio de Osirnet, Afubra e Sicoob.
Tabaco no Brasil: dados da safra 2024/25
O Brasil é o segundo maior produtor de tabaco do mundo, atrás da China. A Região Sul é o principal polo da atividade no país.
Indicadores atualizados
- 525 municípios produtores
- 138 mil produtores rurais
- 44 mil empregos diretos na indústria
- 533 mil pessoas envolvidas no meio rural
- 310 mil hectares plantados
- 720 mil toneladas produzidas
- R$ 14,6 bilhões em receita para os produtores
- 447 mil toneladas exportadas em 2024
- R$ 18,8 bilhões em impostos arrecadados (2024)
- US$ 2,89 bilhões em divisas com exportações (2024)





