Política

Projeto que altera regime jurídico dos servidores gera impasse na Câmara de Camaquã

Vereador Claiton Silva afirmou que seu voto contrário caso o texto não seja ajustado

A Câmara de Camaquã analisa um projeto enviado pela Prefeitura que modifica pontos do regime jurídico dos servidores municipais. A proposta inclui o detalhamento do processo de sindicância, mas acrescenta dois dispositivos que provocaram reação do vereador professor Claiton Silva, que antecipou voto contrário caso o texto não seja ajustado.

Projeto que altera regime jurídico dos servidores gera impasse na Câmara de Camaquã
Projeto que altera regime jurídico dos servidores gera impasse na Câmara de Camaquã. Foto: Gil Martins | Acústica FM

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Em entrevista ao programa Esquina Democrática deste sábado (22), o vereador afirmou que não vê problema na inclusão do passo a passo das sindicâncias na Lei 390, por entender que o procedimento fica mais claro. Segundo ele, porém, duas alterações foram inseridas “como um jabuti” e abrem brechas que considera perigosas.

A primeira mudança amplia a delegação de competência para aplicar advertências e suspensões. Hoje, o prefeito pode delegar essa atribuição aos secretários municipais. O projeto permite que a Procuradoria-Geral também receba essa função. Para o vereador, a medida cria conflito, pois a procuradoria assessora a comissão de sindicância. Na avaliação dele, o procurador-chefe poderia acabar definindo a punição de um processo conduzido por um órgão sob sua chefia.

A segunda alteração acrescenta um parágrafo ao artigo 247, abrindo a possibilidade de suspender contratos temporários sempre que houver interrupção das atividades que motivaram a contratação. O problema, segundo o parlamentar, é a ausência de prazos. Ele afirma que a medida pode afetar especialmente profissionais da educação, que ficariam sem remuneração no recesso escolar e dependeriam de reativação futura do contrato “a bel-prazer” do Executivo. Para Cleiton, a regra cria insegurança, permite longas interrupções e não define limites claros para gestores.

O vereador argumentou ainda que a prática evidencia outra dificuldade: a falta de concurso público para o magistério. Ele estima que mais de 200 profissionais da educação seguem contratados e que ajustes pontuais acabam gerando novos problemas.

O parlamentar disse ter pedido mudanças no texto e aguarda que o líder do governo retire os trechos polêmicos para revisão. Sem alteração, manterá voto contrário.

Além do projeto, Claiton comentou a reposição salarial enviada à Câmara. A proposta prevê correção de 4,68%, equivalente à inflação dos últimos 12 meses. Ele alertou que o salário mínimo terá reajuste de 7,44% a partir de janeiro. Servidores que recebem o piso ficariam abaixo do mínimo caso o percentual maior não seja aplicado. O vereador defendeu que o Executivo encaminhe nova correção, exclusiva aos servidores, para evitar repetição do problema ocorrido no início deste ano.

A Câmara deve voltar ao tema na sessão de segunda-feira (24).

Assista a entrevista com o vereador professor Claiton Silva na íntegra

Tags: Camaquã, Câmara de Camaquã, Política, Servidores, Vereadores