abelhas na cidade

Verão intensifica enxames de abelhas em áreas urbanas

Apicultor camaquense explica como agir ao encontrar enxame de abelhas na cidade

As ocorrências envolvendo enxames de abelhas e marimbondos aumentam no verão e já apresentam números atípicos em 2025 no Rio Grande do Sul. Dados do Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS) mostram que, até 13 de novembro, o estado registrou 2.593 chamados a mais do que em todo o ano de 2024. O crescimento é atribuído ao “êxodo rural” das abelhas, relacionado principalmente ao desmatamento e às mudanças climáticas, que têm levado esses insetos a aparecer com mais frequência em áreas urbanas.

Ocorrências com abelhas aumentam no verão. Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal de Beto.
Ocorrências com abelhas aumentam no verão. Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal de Beto.

 

O cenário é generalizado. Das 250 cidades atendidas pelo CBMRS, 157 registraram aumento de ocorrências quando comparados os dados de 2022 com os números contabilizados até novembro de 2025. Segundo os bombeiros, a maioria dos chamados não envolve ataque, mas sim a presença de enxames em migração, especialmente durante períodos de calor intenso.

Por que os enxames aparecem mais no verão

A principal explicação está no processo de enxameação, fase natural em que parte da colmeia se desloca em busca de um novo local para se instalar. Esse movimento se intensifica no verão, quando temperaturas elevadas e alterações no ciclo das plantas afetam a disponibilidade de alimento.

Pesquisas também indicam um êxodo rural das abelhas, provocado pelo desmatamento, uso de produtos químicos que repelem os insetos e mudanças climáticas. Em entrevista à GZH, o professor de Agronomia da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), Rafael Meirelles, afirmou que o avanço da urbanização e as ondas de calor fora de época reduzem a oferta de flores, forçando os insetos a buscar novos ambientes.

O que fazer ao encontrar um enxame na cidade

Ao se deparar com um enxame em migração, a orientação é manter a calma e distância. Não se deve tentar remover ou provocar os insetos. O correto é acionar o Corpo de Bombeiros ou apicultores profissionais habilitados.

Em entrevista à Rádio Acústica FM, o apicultor Beto Rodrigues, de Camaquã, reforça que intervenções sem equipamentos de proteção são perigosas. Não se deve mexer em enxames onde há pessoas, sem EPIs e durante o dia. O correto é isolar o local e chamar uma autoridade.

Apicultor Beto Rodrigues. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.
Apicultor Beto Rodrigues. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.

Ataques: como agir em situação de risco

Em casos de ataque, a recomendação é chamar os bombeiros imediatamente, tentar se afastar do enxame e proteger áreas sensíveis do corpo, como cabeça, rosto e pescoço. Pessoas alérgicas devem procurar atendimento médico urgente. Segundo especialistas, indivíduos com hipersensibilidade podem sofrer reações graves com uma única ferroada.

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Nem todas as abelhas representam perigo

No Rio Grande do Sul existem cerca de 25 espécies de abelhas, e apenas uma possui ferrão e comportamento mais agressivo. As abelhas sem ferrão, como a jataí, são nativas e não oferecem risco às pessoas. Já a abelha com ferrão foi introduzida no Brasil, com origem europeia e africana.

Enxame de Jataí. Foto: Arquivo Pessoal/Pablo Bierhals.
Enxame de Jataí. Foto: Arquivo Pessoal/Pablo Bierhals.

“As abelhas são insetos primordialmente importantes para a natureza”, destaca Beto Rodrigues. Segundo ele, a polinização depende diretamente desses insetos, inclusive em áreas urbanas, onde espécies sem ferrão são recomendadas e utilizadas em projetos educativos com escolas.

Impacto ambiental e econômico

Apesar da importância ambiental, o setor enfrenta dificuldades econômicas. De acordo com Beto, a produção de mel segue alta, mas a valorização é baixa. Cooperativas pagam cerca de R$ 10 por quilo do mel comum. Já o mel de abelhas sem ferrão, conhecido pelas propriedades medicinais, pode ultrapassar R$ 100 por 10 mililitros.

A maior preocupação, segundo o apicultor, é a falta de profissionais habilitados para o resgate dos enxames nas cidades. “As pessoas acabam matando as abelhas”, alerta. Mesmo em casos de risco, a eliminação dos insetos não é recomendada.

Dica prática: como conservar o mel

Para preservar as propriedades do mel, a orientação é evitar recipientes de metal comum, que comprometem as enzimas naturais. O ideal é armazenar em vidro, madeira ou inox, sempre em local fresco e protegido da luz.

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