O deputado federal Paulo Pimenta participou de entrevista na Rádio Acústica FM na manhã desta sexta-feira (26), onde afirmou que as fortes chuvas registradas no feriado de 25 deixaram diversos municípios do centro do Rio Grande do Sul em situação de emergência. Segundo ele, algumas cidades superaram os 150 milímetros de precipitação em um único dia, provocando danos à infraestrutura. Pimenta disse ter acompanhado a situação em tempo real, em contato direto com prefeitos e equipes da Defesa Civil, destacando que a presença do poder público precisa ocorrer durante a crise, e não apenas após o desastre. A previsão do tempo, conforme alertou, segue desfavorável para regiões do norte do Estado ao longo do fim de semana.

Paulo Pimenta contextualizou os temporais como reflexo de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. Citou recordes recentes de temperatura em grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo e explicou que o calor intenso tende a se converter em chuvas volumosas. Para ele, esse cenário exige mudanças no planejamento urbano e nas obras de infraestrutura. Pontes, estradas e moradias, disse, precisam ser projetadas para volumes maiores de água, já que áreas historicamente alagáveis acabaram ocupadas ao longo das décadas.
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Pimenta explicou que a engenharia utiliza a chamada “cota da maior enchente”, referência histórica para definir o nível máximo que as águas podem atingir. No Rio Grande do Sul, a enchente de 1941 serviu de base por décadas, mas os eventos de 2024 passam a ser um novo parâmetro. Ele afirmou que obras de reconstrução, como escolas e unidades de saúde, só recebem recursos federais se forem relocadas para áreas seguras. Atualmente, segundo o deputado, há 12 mil imóveis em construção no Estado e 8,5 mil famílias atendidas pelo modelo de “compra assistida”, que prioriza terrenos fora de áreas alagadiças.
Paulo Pimenta destaca duplicação da BR-116 como prioridade
Ao tratar de infraestrutura, Paulo Pimenta reforçou que a duplicação da BR-116 é prioridade dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A expectativa é concluir as obras no primeiro semestre, após a relicitação de trechos abandonados pelo Exército. Sobre o pedágio da Ecossul, classificado por ele como o mais caro do País, afirmou que o governo busca um novo modelo de concessão, com maior transparência e tarifas mais baixas. Pimenta citou exemplos de concessões recentes com descontos superiores a 60% e defendeu diálogo com a comunidade da região sul.
Na área logística, Pimenta destacou investimentos na retomada das hidrovias gaúchas, hoje subutilizadas. Foi publicado o edital para revitalização da Lagoa Mirim, do canal São Gonçalo e do acesso ao Porto de Santa Vitória do Palmar. A iniciativa deve permitir a integração de cargas do norte do Uruguai ao Porto de Rio Grande. O deputado também mencionou a concessão de área à empresa CMPC para a implantação de um novo porto, projeto que tende a ampliar a capacidade produtiva e gerar impactos econômicos regionais.
O parlamentar informou ainda a devolução de valores descontados indevidamente de aposentados e beneficiários do INSS em Camaquã. Segundo ele, 1.471 pessoas já receberam ressarcimento, totalizando R$ 844 mil. O prazo para solicitar a devolução foi prorrogado até 14 de fevereiro. Pimenta afirmou que descontos de pequeno valor, muitas vezes de R$ 30 ou R$ 40, eram feitos por entidades irregulares, prática agora proibida por medida provisória. O governo, disse, já apreendeu cerca de R$ 4 bilhões em bens das quadrilhas investigadas.
Na saúde, Paulo Pimenta confirmou que o Grupo Hospitalar Conceição deve assumir o pronto-socorro de Pelotas entre abril e maio. Também estão em andamento obras no Hospital Universitário de Pelotas, que passará de 270 para 341 leitos, ampliando em 40% a oferta do Sistema Único de Saúde na região. Ele citou ainda o programa “Agora Tem Especialista”, que busca descentralizar atendimentos e reduzir o deslocamento de pacientes do interior para grandes centros, com investimentos em teleatendimento em municípios como Camaquã.
Por fim, Pimenta abordou a situação do setor orizícola. Segundo ele, leilões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tiveram baixa adesão, mas o governo disponibilizou R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas rurais, dos quais R$ 6 bilhões já foram utilizados, majoritariamente no Rio Grande do Sul. O objetivo, afirmou, é garantir alongamento de prazos com juros acessíveis. Paulo Pimenta ressaltou que o arroz enfrenta limitações no mercado internacional, mas garantiu diálogo permanente com produtores.
Acompanhe a entrevista na íntegra:



