A maioria dos países da União Europeia aprovou, nesta sexta-feira (9), o acordo de livre comércio com o Mercosul, encerrando um ciclo de negociações que se estendia por 25 anos. A decisão, tomada por representantes dos 27 Estados-membros em Bruxelas, abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o tratado na próxima segunda-feira (12), em Assunção, no Paraguai. O pacto cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, integrando o bloco europeu a Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Entenda o que estabelece o acordo Mercosul e Europa
Apesar do avanço diplomático, o texto ainda precisa passar pelo crivo do Parlamento Europeu, onde cerca de 150 deputados prometem contestar a medida judicialmente. O governo da França, liderado por Emmanuel Macron, reafirmou sua oposição total ao projeto, alegando que a entrada de produtos sul-americanos prejudica a agricultura local. Para os defensores, como Alemanha e Espanha, o tratado é estratégico para fortalecer a economia europeia frente à concorrência da China e às recentes mudanças nas políticas tarifárias dos Estados Unidos.
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O acordo prevê a retirada de impostos de importação para mais de 90% das mercadorias trocadas entre as regiões, beneficiando o setor industrial europeu e o agronegócio sul-americano. Em resposta aos protestos de produtores rurais na Europa, a Comissão Europeia estabeleceu salvaguardas rigorosas. Entre as medidas, estão limites para a entrada de carne e grãos isentos de taxas e a proibição de substâncias químicas em frutas, como agrotóxicos já banidos em solo europeu, para evitar o que chamam de concorrência desleal.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, vinha cobrando celeridade dos europeus, classificando o momento como uma oportunidade histórica para o desenvolvimento regional do Mercosul. No entanto, a implementação total do pacto não será imediata. Além da resistência política na França, o cronograma depende de ratificações formais que devem ocorrer nas próximas semanas. Se confirmado, o mercado passará a atender cerca de 700 milhões de consumidores, transformando o fluxo de bens como automóveis, vinhos, carnes e soja.




