O deputado federal Paulo Pimenta (PT) ouviu, em reunião nesta quinta-feira (15), em Camaquã, as principais demandas dos arrozeiros da Costa Doce e se comprometeu a agendar, nos próximos dias, uma reunião das entidades do setor com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e com a diretoria da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Brasília. O encontro reuniu produtores, cooperativas e representantes sindicais e teve como foco a crise de rentabilidade da orizicultura na região.

A reunião ocorreu em Camaquã e contou com a participação da Associação dos Arrozeiros, do Sindicato Rural de Camaquã e Arambaré, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, da Associação dos Usuários do Arroio Duro (AUD) e da Cooperativa de Cereais de Camaquã (Coopac), que opera na antiga estrutura da Cesa.
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O objetivo foi apresentar ao parlamentar a realidade econômica da produção de arroz, considerada estratégica para a geração de empregos e renda na Costa Doce. As lideranças destacaram a necessidade de respostas rápidas, compatíveis com o calendário agrícola, para que eventuais medidas tenham efeito ainda nas próximas safras.
Preço mínimo, custos e importações na pauta
Entre os principais pontos levados ao deputado estão o preço mínimo do arroz, a alta do custo de produção, o impacto das importações e a concorrência com países vizinhos que utilizam produtos fitossanitários proibidos no Brasil. Também foram debatidas políticas para ampliar as exportações, fortalecer o seguro agrícola e melhorar a produtividade sem elevar custos.
Segundo dados apresentados pelas entidades, o custo de produção do arroz na região de Camaquã varia entre R$ 80 e R$ 90 por saca de 50 quilos, enquanto o preço pago ao produtor gira em torno de R$ 55. A diferença compromete a sustentabilidade da atividade.
Paulo Pimenta afirmou que sua atuação busca evitar encontros sem resultado prático. Segundo o deputado, o compromisso é garantir que as entidades sejam recebidas diretamente pelo ministro da Agricultura e pela Conab, responsáveis por decisões sobre política de preços, estoques reguladores e mecanismos de apoio ao produtor.
Irrigação e infraestrutura regional
Durante a visita, Pimenta conheceu o trabalho de irrigação desenvolvido pela AUD e a gestão da Coopac. O deputado também manifestou interesse em visitar a barragem do Arroio Duro, projeto considerado estratégico para ampliar a segurança hídrica e beneficiar diversos municípios da região.
Segundo o parlamentar, ouvir as demandas “in loco” ajuda a reduzir a distância política entre o Rio Grande do Sul e Brasília e dá mais consistência às negociações junto ao governo federal.
Exportação e ajuste da oferta
Em entrevista à Rádio Acústica FM, o presidente da Associação dos Arrozeiros de Camaquã detalhou as dificuldades enfrentadas pelo setor. Para ele, o principal problema não é o preço de venda, mas o custo elevado da produção.

“O problema não é vender a R$ 50, o problema é o custo ser mais alto”, afirmou.
Como alternativa estrutural, o dirigente defende o aumento das exportações. A estimativa apresentada é de que o Brasil precise exportar cerca de 2 milhões de toneladas de arroz na safra 2026/27. Para isso, os produtores teriam de destinar entre 10% e 20% da produção ao mercado externo, reduzindo o estoque de passagem.
Outra medida apontada é a redução da área plantada. O Rio Grande do Sul já cultivou 1,2 milhão de hectares de arroz. Na safra mais recente, a área caiu para cerca de 930 mil hectares. Para a próxima safra, a projeção é de redução para aproximadamente 800 mil hectares, como forma de diminuir a oferta e buscar o reequilíbrio dos preços.
As entidades reforçaram que a crise da orizicultura não é um problema isolado da Costa Doce, mas uma pauta de relevância nacional. O setor defende que apenas com articulação política e decisões coordenadas será possível garantir previsibilidade, competitividade e a permanência dos produtores na atividade.




