O governo do Rio Grande do Sul lançou nesta semana um programa de renegociação de dívidas de frigoríficos com o Estado, nos moldes de um Refis. A medida busca regularizar empresas do setor da carne, ampliar a arrecadação e preparar a cadeia produtiva para a abertura de novos mercados externos, como o Japão.

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A informação foi dada pelo secretário estadual da Agricultura, Edvilson Brum, durante visita ao município de Alpestre, no norte do Estado, onde participou de reuniões com lideranças políticas e representantes do setor agropecuário.
Segundo Brum, a iniciativa do governador Eduardo Leite e da equipe econômica atende a uma demanda antiga do setor. Frigoríficos acumulam débitos após sucessivas crises na pecuária, que atingiram tanto empresas quanto produtores. A renegociação permite que as companhias regularizem a situação fiscal e voltem a operar plenamente.
“A regularização é essencial para que o Estado avance na exportação de carne. Empresas com pendências fiscais ficam impedidas de emitir documentos e vender para fora do País”, afirmou o secretário.
O governo estadual também aposta na expansão das exportações como estratégia de fortalecimento da cadeia da carne. Brum citou a abertura do mercado japonês e defendeu uma campanha internacional para diferenciar a produção gaúcha. Segundo ele, o rebanho do Estado é criado no bioma Pampa, semelhante ao do Uruguai e de países europeus, o que garante padrão elevado de qualidade.
Durante a agenda no interior, o secretário avaliou de forma positiva o andamento das lavouras. As chuvas regulares, afirmou, criaram condições para uma safra cheia de soja, milho, arroz e tabaco, após anos de frustração no campo. “Não é supersafra, mas é uma colheita sólida, que o Estado não conseguia há muito tempo”, disse.
Apesar do cenário climático favorável, Brum alertou para o alto custo de produção e a queda nos preços, especialmente do arroz e do leite. No caso do arroz, o valor pago ao produtor está abaixo do custo. Um saco de 50 quilos vendido a R$ 50, segundo ele, gera prejuízo.
Para enfrentar o problema do leite, o governo estadual e o federal estudam a compra de estoques para retirar produto do mercado e reduzir a oferta. Brum também defendeu medidas mais duras contra a importação. Segundo ele, há indícios de triangulação de leite da Nova Zelândia via Argentina, o que pressiona os preços internos.
“Uma suspensão temporária das importações poderia ajudar o mercado a se reequilibrar”, afirmou.
Ao longo da semana, a Secretaria da Agricultura percorreu cerca de 20 municípios do norte gaúcho, com reuniões com prefeitos, vereadores e entidades do setor. O objetivo, segundo Brum, é mapear as dificuldades regionais e ajustar políticas públicas para reduzir o impacto dos custos e melhorar a renda no campo.




