MEIO AMBIENTE

Parque Estadual do Camaquã deve receber expedições científicas em 2026

Unidade de Conservação tem cerca de 10 mil hectares entre Camaquã e São Lourenço do Sul e deve ter estudos para atualizar dados sobre a biodiversidade

A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Sema) planeja realizar expedições científicas em 2026 no Parque Estadual do Camaquã, Unidade de Conservação localizada entre os municípios de Camaquã e São Lourenço do Sul. A iniciativa busca atualizar o conhecimento sobre a biodiversidade da área e reunir informações para subsidiar a elaboração futura do plano de manejo, etapa considerada essencial para orientar a preservação e a organização do parque.

Delta intralagunar do Rio Camaquã. Foto: Arquivo/PE Camaquã.
Delta intralagunar do Rio Camaquã. Foto: Arquivo/PE Camaquã.

Criado há 50 anos, o Parque Estadual do Camaquã ocupa cerca de 10 mil hectares e preserva uma formação geomorfológica rara: o delta intralagunar do Rio Camaquã, que se forma no contato do rio com a Laguna dos Patos.

Parque Estadual do Camaquã preserva delta intralagunar raro

A estrutura sedimentar do delta intralagunar cria ambientes considerados essenciais para a vida. No território do parque, há florestas ripárias, campos, vegetação de restinga, banhados e canais naturais.

Essas áreas funcionam como berçários para espécies aquáticas e também como refúgio para aves, mamíferos, répteis e outros animais que dependem de ambientes úmidos e de vegetação preservada.

Além da relevância ecológica, o parque presta serviços ambientais considerados fundamentais para a região. A proteção de áreas úmidas e de vegetação ripária contribui para a regulação hídrica, com efeitos na redução de impactos de cheias e na manutenção da fertilidade de lavouras vizinhas.

Segundo o material divulgado pela secretaria, esse papel é especialmente relevante para as áreas de cultivo de arroz, apontado como principal atividade econômica regional. A atuação como barreira contra eventos climáticos extremos também é citada como um fator que influencia a qualidade de vida de comunidades locais.

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Ações previstas para 2026 incluem conselho consultivo e expedições de campo

A Sema informa que a Unidade passa por processos de regularização fundiária e implementação de ações estratégicas. Entre as medidas citadas estão:

  • Criação do Conselho Consultivo;
  • Expedições científicas para atualização do conhecimento sobre suabiodiversidade;
  • Expedições de campo para subsidiar a elaboração futura do plano de manejo, garantindo que seus objetivos de preservação sejam alcançados e detalhando o funcionamento para futura abertura ao público.

De acordo com Leonardo Urruth, gestor da Unidade, as iniciativas fazem parte de um processo de consolidação do parque.

“Temos avançado em temas estratégicos para consolidar o Parque Estadual do Camaquã, que é missão institucional da Sema. As ações estratégicas mapeadas asseguram que essa insubstituível Unidade de Conservação cumpra seu papel de proteger o patrimônio natural e cultural do Bioma Pampa”, destaca Leonardo Urruth, gestor da Unidade.

Delta do Camaquã tem relevância científica e histórica

A região do Delta do Camaquã é descrita como um marco para a ciência brasileira. No início do século XX, o naturalista germano-brasileiro Hermann von Ihering viveu por sete anos em uma ilha do delta do rio Camaquã, onde realizou pesquisas sobre fauna e flora e enviou espécimes para instituições europeias e para o Museu Paulista, do qual foi fundador.

De acordo com o material da secretaria, sua contribuição científica inspirou a criação da revista Iheringia, lançada em 1957 pelo então Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais. Hoje, a publicação é referência nacional e internacional, com impacto especialmente na botânica e zoologia neotropicais.

Patrimônio cultural inclui território indígena e Revolução Farroupilha

Além da dimensão ambiental, o parque está inserido em uma área de relevância cultural. Parte do território sobrepõe-se à Terra Indígena da Pacheca, habitada pela comunidade M’bya Guarani, o que reforça a necessidade de gestão integrada entre áreas protegidas.

A região também foi palco de episódios da Revolução Farroupilha, como a construção dos lanchões usados por Giuseppe Garibaldi na tomada de Laguna.

A expectativa é de que as ações previstas para 2026 ajudem a ampliar o conhecimento técnico sobre o território e orientem decisões futuras sobre conservação e uso público.