Investigação

Vídeo registra abordagem policial e tiros em caso que terminou com morte de produtor rural em Pelotas

Vídeo registra gritos de “É a Polícia!” e troca de tiros no sítio de Marcos Nörnberg, morto em 15 de janeiro

Imagens de câmeras de segurança mostram que policiais militares se identificaram durante a ocorrência que terminou com a morte do produtor rural Marcos Nörnberg, de 48 anos, em Pelotas, no dia 15 de janeiro. No vídeo, os brigadianos gritam “É a Polícia!” antes da troca de tiros. O agricultor teria acreditado se tratar de ladrões disfarçados e disparou contra os agentes.

Vídeo registra abordagem policial e tiros em caso que terminou com morte de produtor rural em Pelotas. Foto: Reprodução.
Vídeo registra abordagem policial e tiros em caso que terminou com morte de produtor rural em Pelotas. Foto: Reprodução.

As câmeras estavam voltadas para a parte externa da casa e registraram a chegada dos policiais à propriedade, a abordagem, gritos e a sequência de disparos.

De acordo com as imagens, Nörnberg disparou pelo menos duas vezes. Depois disso, são ouvidos pelo menos 16 disparos, atribuídos aos policiais.

Viúva diz que houve “tiro final” após o fim do confronto

A viúva do agricultor, Raquel Motta, prestou depoimento na Corregedoria da Brigada Militar e na Polícia Civil. Segundo ela, estava deitada, a cerca de 20 centímetros do marido ferido, quando policiais se aproximaram e deram o tiro final.

Raquel relatou que um dos policiais teria comentado “mexeu a cabeça” antes de efetuar o disparo. O áudio do circuito interno de TV registrou a fala, mas apenas uma perícia técnica poderá confirmar o teor exato das palavras.

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O disparo isolado é audível e, conforme o relato da viúva, teria ocorrido cerca de 15 segundos após o fim do tiroteio inicial, o que pode indicar que Nörnberg foi vítima de um “tiro de misericórdia”.

Polícia avalia se houve execução ou legítima defesa

Outra possibilidade considerada é que os policiais tenham atirado por entender que o agricultor ainda poderia reagir com outra arma. Nesse cenário, a ação poderia ser enquadrada como legítima defesa por parte dos agentes.

Depoimentos, áudios e perícias reunidos até agora indicam a possibilidade de que Marcos tenha sido executado, com a hipótese de que ele tenha sido atingido por um tiro quando já estava caído.

Perícias devem melhorar qualidade de imagens e áudios

O delegado Thiago Carrijo, diretor da Divisão de Homicídios do Interior, afirmou em entrevista à Rádio Gaúcha que a Polícia Civil aguarda as perícias, que devem ajudar a melhorar a qualidade das imagens e dos áudios registrados dentro da casa.

A polícia informou ainda que, após o fim dos depoimentos dos familiares, o próximo passo será ouvir os policiais militares envolvidos na ação. Ao todo, 18 brigadianos foram afastados temporariamente.

Laudo de necropsia aponta múltiplos disparos e tiros a curta distância

O exame cadavérico identificou ferimentos por projéteis, incluindo tiros tangenciais na face, pescoço e região clavicular direita, além de perfurações em áreas vitais.

Segundo o documento, “os projéteis que efetivamente causaram o óbito foram aqueles que penetraram pelo ombro direito e pela região axilar direita, transfixando estruturas essenciais como pulmão direito, coração, diafragma e estômago, produzindo extenso dano tecidual e hemorragia interna maciça. Foi constatado lesões cardíacas graves, compatíveis com quadro letal”.

O texto também descreve que “a perícia também concluiu que os disparos foram efetuados a curta distância, evidenciado pelas tatuagens de pólvora observadas na face e no pescoço da vítima. Quanto à dinâmica, os projéteis apresentaram trajetórias predominantemente da direita para a esquerda, de frente para trás e de cima para baixo”.

Policiais se identificaram antes dos disparos, mostram imagens

As imagens analisadas mostram que, ao chegar ao local, os brigadianos se identificaram e repetiram diversas vezes: “É a Polícia!”.

A investigação segue em andamento e deve depender dos laudos periciais e dos depoimentos dos policiais para esclarecer a dinâmica completa da ocorrência e definir se houve execução, excesso ou legítima defesa.