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Baixo desempenho no Enamed expõe fragilidade de faculdades de medicina, diz Cremers

Para o vice-presidente do Cremers, excesso de cursos ruins não melhora o atendimento e enfraquece a relação médico-paciente

Um terço dos concluintes de medicina não atingiu nível satisfatório no Enamed, exame nacional que avalia a formação médica. O pior resultado veio de faculdades privadas. Para o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), os números confirmam a expansão desordenada de cursos de baixa qualidade no País.

Cremers
Cremers. Foto: Assessoria de Comunicação / Cremers

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Segundo o vice-presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, o resultado não surpreende. Nos últimos dez anos, houve abertura acelerada de escolas sem estrutura adequada.

“Não adianta abrir faculdade em qualquer esquina. Isso não forma bons médicos e reduz a confiança da população”, afirmou em entrevista à Rádio Acústica.

O conselho diz que instituições criadas recentemente concentram os piores desempenhos. Em 2024, o Cremers interditou campos de prática de uma dessas faculdades, decisão que gerou reação, mas reforçou a avaliação do órgão sobre a falta de qualidade.

O dirigente defendeu o fechamento de cursos ruins. Para ele, a ampliação de vagas não resolveu a falta de atendimento. O Rio Grande do Sul tem cerca de 43 mil médicos para 11 milhões de habitantes, proporção superior à de países como Estados Unidos e Japão. “Não faltam médicos. Falta contratação e vínculo”, disse.

Na avaliação do Cremers, prefeituras economizam ao terceirizar o serviço. UPAs e hospitais contratam empresas intermediárias, que fazem plantões avulsos. O modelo impede a criação de vínculo com a comunidade e fragiliza a relação médico-paciente.

O conselho defende concursos públicos bem estruturados, com possibilidade de carreira estadual nas regiões de difícil provimento. Estudos citados pelo órgão indicam melhores resultados de mortalidade e morbidade quando o médico permanece mais de dez anos na mesma comunidade.

Outro problema é o endividamento dos estudantes. Mensalidades entre R$ 12 mil e R$ 17 mil levam famílias a financiamentos elevados. Muitos formandos saem endividados, com formação precária e dificuldade para pagar as dívidas.

A prova de proficiência, aprovada pelo Congresso, pode ajudar a expor o problema, segundo Trindade. O risco, diz o vice-presidente, é virar um fim em si mesma.

“Não pode ser só uma prova no último ano. É preciso fechar cursos ruins e melhorar a formação”, afirmou.

Há ainda déficit de vagas em residência médica. Apenas metade dos formandos consegue especialização. O conselho aponta falta de investimento em hospitais de grande porte como entrave.

Para o Cremers, a solução passa por planejamento, regulação rígida e foco na qualidade.

“Banalizar a abertura de faculdades não resolve a saúde da população”, concluiu.

Tags: Cremers, Enamed, Rio Grande do Sul, Saúde