Economia

BC mantém taxa de juros em 15% e sinaliza possível redução em março

Decisão foi unânime e manteve os juros no maior patamar desde julho de 2006

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (28) manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, na primeira reunião de 2026. A decisão foi unânime, ocorreu em Brasília e manteve os juros no maior patamar desde julho de 2006. Apesar da estabilidade, o colegiado indicou que pode iniciar um ciclo de redução da taxa a partir de março, caso o cenário econômico esperado se confirme.

BC mantém taxa de juros em 15% e sinaliza possível redução em março. Foto: Divulgação/iStock.
BC mantém Selic em 15% e sinaliza possível redução em março. Foto: Divulgação/iStock.

No comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central afirmou que há espaço para início da flexibilização dos juros, mas condicionou qualquer mudança à evolução do cenário econômico. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

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Segundo o Copom, o compromisso com o cumprimento da meta inflacionária exige prudência quanto ao ritmo e à intensidade de um eventual ciclo de cortes, que dependerá da consolidação de fatores que aumentem a confiança no controle dos preços.

Projeção de inflação melhora para 2026

O Banco Central revisou para baixo sua estimativa de inflação para 2026. A projeção passou de 3,5%, indicada em dezembro, para 3,4%, no cenário de referência, que considera as projeções de mercado para a trajetória dos juros.

Já para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, a expectativa de inflação foi mantida em 3,2%.

Nas projeções, o Copom utilizou uma taxa de câmbio inicial de R$ 5,35, o mesmo patamar considerado na reunião anterior.

Reunião ocorreu com diretoria incompleta

A reunião desta quarta-feira contou com a participação de apenas sete dos nove membros do Copom. Isso ocorreu após o encerramento dos mandatos de Diogo Guillen, ex-diretor de Política Econômica, e de Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, em dezembro. Até o momento, o governo federal não indicou substitutos para os cargos.

Mercado já esperava manutenção da Selic

A decisão do Banco Central já era amplamente esperada. Pesquisa da Reuters mostrou que 32 dos 35 economistas consultados projetavam a manutenção da Selic em 15% neste mês.

A última decisão sobre os juros ocorreu em dezembro, quando o Copom também optou por manter a taxa. Esta foi a quinta reunião consecutiva em que o Banco Central decidiu pela estabilidade dos juros básicos da economia brasileira.