A indústria têxtil do Grupo Crisdu iniciou oficialmente, nesta quinta-feira (29), a produção de vestuários da marca Romance em Camaquã, com a inauguração de uma unidade industrial no município. A fábrica começa as atividades com 60 colaboradores, em sua maioria mulheres, e prevê expansão do quadro funcional para 100 trabalhadores até o fim de fevereiro, com possibilidade de chegar a 300 empregos no futuro.

Embora a inauguração oficial tenha ocorrido nesta quinta, os trabalhos já estavam em andamento desde a segunda semana de janeiro. A unidade produz vestuário feminino, com foco em moda íntima, e integra o grupo empresarial responsável também pela marca Favorita.
Maioria feminina e qualificação da mão de obra local
Dos 60 colaboradores contratados, 95% são mulheres, e apenas 10% tinham experiência anterior no setor têxtil. A diretora da empresa, Déa Venâncio, explicou que a estratégia da unidade em Camaquã é priorizar a contratação de mulheres que estavam fora do mercado de trabalho.
“Isso atende as necessidades da mulher que é dona de casa, mãe e também quer ter sua carreira”, afirmou em entrevista à Rádio Acústica FM.
Segundo Déa, a empresa realizou cursos de qualificação ao longo de 2025, antes do início da operação, e busca manter horários flexíveis, compatíveis com a realidade das colaboradoras.

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!
Atração da indústria começou em 2024
A instalação da indústria em Camaquã é resultado de um trabalho iniciado há cerca de um ano pela gestão municipal, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação. O processo incluiu visitas técnicas a indústrias da Serra Gaúcha, principal polo têxtil do Rio Grande do Sul, com o objetivo de apresentar o município como destino viável para novos investimentos.
De acordo com o prefeito Abner Dillmann (PSDB), a ideia de atrair uma indústria têxtil surgiu ainda em 2024, após sugestão da costureira Andreia Neugbauer, que já prestava serviços terceirizados ao Grupo Crisdu. Em entrevista à Rádio Acústica FM, Andreia relatou que percebeu a chegada de muitas pessoas a Camaquã após as enchentes de maio de 2024, o que ampliou o potencial de mão de obra disponível no município.

A partir disso, o secretário Clayton Dworzecki iniciou os primeiros contatos com a empresa. Naquele momento, o grupo não considerava Camaquã como opção de expansão.
“Camaquã não estava no nosso radar”, afirmou o CEO da empresa, Eduardo Nogueira, em entrevista à Rádio Acústica FM.
Incentivos e contrapartidas do município
Para viabilizar a instalação da unidade, o município assumiu o pagamento de R$ 10 mil mensais, pelo período de 24 meses, referentes ao aluguel do prédio onde a indústria funciona, localizado na rua Rafael da Silva Brandão, próximo à avenida José Loureiro da Silva. Além disso, a empresa receberá isenção de tributos municipais e devolução de parte do retorno do ICMS pelo período do incentivo.
Segundo o prefeito, este é um investimento com retorno social e econômico. “Há um investimento sendo feito, mas o retorno é muito maior”, afirmou à Rádio Acústica FM.
Dillmann destacou ainda que a escolha por uma área urbana, neste primeiro momento, levou em conta a mobilidade das trabalhadoras, muitas delas mães, facilitando o deslocamento diário.
Expansão, exportações e produção nacional
Em entrevista à Rádio Acústica FM, o CEO da Crisdu afirmou que a expectativa é ampliar a produção e o número de colaboradores nos próximos meses. “Estamos orgulhosos de produzir aqui em Camaquã”, disse.
Atualmente, o grupo exporta 35% da produção para países da América Latina e Europa, com destaque para Portugal, e está em processo de entrada no mercado espanhol. Nogueira avaliou como positivo o acordo Mercosul–União Europeia, mas com cautela, já que o tratado ainda não entrou em vigor.
“Vamos fabricar produtos que eram chineses. Hoje, serão brasileiros, com mão de obra camaquense”, afirmou o CEO, também destacando que mesmo com uma alta porcentagem de exportação, o foco principal é produzir para o Brasil.
Durante o ato de inauguração, Nogueira destacou o compromisso da empresa com o município e os colaboradores.
“A Crisdu não é um poço de desejos, não vamos resolver todos os problemas, mas queremos propor uma parceria com vocês”, disse enquanto se dirigia aos trabalhadores. “Tenho certeza que vamos ajudar a realizar muitos sonhos aqui”. Em seguida, completou: “Não estamos aqui pra brincar, dinheiro não aceita desaforo, tenho certeza que vamos dar muito orgulho pra Camaquã”.
Desenvolvimento industrial como prioridade
O prefeito Abner Dillmann classificou a chegada da indústria como uma das principais entregas de sua gestão. “Uma das maiores entregas que estou fazendo na minha gestão é essa aqui hoje”, afirmou, ao destacar a geração de emprego, renda e qualificação da mão de obra local.
Questionado sobre a necessidade de seguir investindo na industrialização da região, reafirmou o compromisso com a expansão industrial de Camaquã, incluindo obras de pavimentação de acesso ao distrito industrial e a entrega de novos lotes, prevista para os próximos meses.




