O Hospital Nossa Senhora Aparecida (HNSA) seguirá sem superintendente na atual gestão. A decisão foi confirmada nesta terça-feira (3) pela presidente da Fundação Beneficente e Assistencial de Camaquã (Funbeca), Amanda Oro, durante coletiva de imprensa em Camaquã. A dirigente também comentou atrasos nas obras, a relação com a prefeitura, ações trabalhistas, prestação de contas e mudanças na diretoria da fundação.

Segundo Amanda Oro, não há intenção de contratar um novo superintendente nos próximos meses. A presidente afirmou que o cargo possui autonomia que pode afastar a diretoria das decisões estratégicas, além da remuneração elevada que não condiz com a realidade econômica do hospital.
A demissão da última superintendente, em janeiro, ocorreu por questões internas de conduta. A dirigente disse que a gestão busca alinhar a equipe a uma postura considerada “humanizada” e negou que tenha havido tentativa de reajuste salarial para R$ 26 mil. Segundo Amanda Oro, o salário da colaboradora era de cerca de R$ 15 mil, com intenção de elevar para aproximadamente R$ 20 mil, mas não houve efetivação. “A demissão não se deu apenas por este motivo”, afirmou, ao mencionar outras questões internas.
Questionada sobre a relação com a prefeitura e possível interferência em contratações, a presidente disse que a ligação ocorre por “questão de confiança, por ser uma mantenedora que mais arca quando há uma necessidade dentro do hospital”, em referência a aportes financeiros e articulações por recursos e especialidades. Amanda Oro afirmou que “não há nenhuma indicação exclusiva de prefeito ou vice-prefeito” trabalhando no hospital.
Amanda Oro confirmou que sua saída da Procuradoria Municipal está relacionada a denúncia de incompatibilidade, optando deixar o cargo na administração municipal para seguir com o cargo voluntário na direção do hospital. O pedido de exoneração partiu da própria advogada para evitar possíveis prejuízos na gestão do HNSA. De acordo com interlocutores, Amanda Oro pode assumir outro cargo público nas próximas semanas, mas na Câmara de Vereadores como assessora jurídica.
Finanças, ações trabalhistas e obras
Sobre a contratação de um colaborador que possui ação trabalhista contra o hospital, Amanda Oro afirmou que ele já havia procurado extinguir a causa antes da contratação. Informações obtidas pela Rádio Acústica FM indicam que a ação pedia R$ 638 mil por reconhecimento de vínculo trabalhista. O colaborador ocupa cargo remunerado de direção interna.
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A presidente afirmou que há outros processos trabalhistas contra o HNSA, relacionados a demissões sem pagamento de rescisão e ausência de depósitos de FGTS em gestões anteriores. “Tu não pode voltar para o hospital se for demitido por justa causa, por imprudência ou por imperícia, agora por cobrar uma verba trabalhista que talvez a gente não pague, não vou te punir por isso”, disse.
Segundo Amanda Oro, o déficit mensal do hospital foi reduzido em cerca de R$ 500 mil durante sua gestão. A prestação de contas será apresentada à comunidade em 31 de março.
Questionada sobre o ritmo das obras do novo pronto-socorro e dos novos leitos, a presidente afirmou que o tema está entre os principais pontos de discussão com as mantenedoras. Segundo Amanda Oro, a empresa responsável pela obra foi contratada antes da atual gestão. Para rescindir o contrato, será necessária avaliação de uma comissão da prefeitura, responsável pelos pagamentos com recursos do governo estadual. Após eventual rescisão, outra empresa poderá ser contratada com o valor remanescente, que permanece em caixa. “Esse valor continua depositado até que se verifique a quebra contratual para que a gente possa fazer a contratação de uma nova empresa que aceita retomar a obra nos termos em que está e pelo valor que ainda temos retido”, afirmou.
Mudanças na diretoria da Funbeca
A Funbeca anunciou novos integrantes da diretoria após a saída repentina de membros eleitos em 2025 e anúncio de apuração interna para esclarecer denúncias. A decisão foi tomada em assembleia com entidades mantenedoras do hospital.
No Conselho Diretor, Rodrigo Cereser assume a vice-presidência. A secretaria passa a ser ocupada por Solange Kreis de Souza, com Arnóbio Fan Jardim como vice. Alexandre dos Santos Woloski permanece como diretor tesoureiro, com Guilherme Gaspar Justo na vice-tesouraria.
No Conselho Fiscal, Jader Weizenmann de Almeida e Arilei Ribeiro Mendes passam a integrar o quadro de membros efetivos, ao lado de Jorge Rubem Dias Schaidhauer. Entre os suplentes, entram Luiz Geraldo Santos Figueiredo, Leonel Castro Taubenheim e Antônio Marcus Soares, que permanece no colegiado.




