MEIO AMBIENTE

Pescadores relatam presença de piranhas no Arroio Duro

AUD não descarta presença de palometas em canais de irrigação após registros no Rio Camaquã

O registro de palometas no Rio Camaquã reacendeu o alerta de autoridades ambientais e usuários do Arroio Duro, em Camaquã. A espécie, popularmente conhecida como piranha-vermelha, pode já estar presente nos canais de irrigação da região. Imagens recentes feitas por pescadores mostram a captura de uma palometa (Serrasalmus maculatus) no Rio Camaquã.

Canal de irrigação do Arroio Duro. Foto: Valerio Weege/Rádio Acústica FM.
Canal de irrigação do Arroio Duro. Foto: Valerio Weege/Rádio Acústica FM.

A palometa é um peixe carnívoro, de dentes afiados e alta capacidade de adaptação e reprodução. Nativa da bacia do rio Uruguai, a espécie vem sendo registrada, desde ao menos 2021, em outras bacias do Rio Grande do Sul, como os rios Sinos, Gravataí, Taquari e Caí, além do Lago Guaíba e da Laguna dos Patos.

No Guaíba, pescadores relatam prejuízos frequentes. Peixes presos em redes e armadilhas costumam ser atacados pelas palometas, o que reduz a captura e danifica equipamentos.

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Após relatos de que o peixe teria sido encontrado em canais de irrigação da Associação dos Usuários do Perímetro do Arroio Duro (AUD), a Rádio Acústica FM ouviu, na segunda-feira (9), o diretor operacional da entidade, Everton Fonseca. Segundo ele, não há registro confirmado da espécie na barragem do Arroio Duro, mas a presença no arroio ou nos canais de irrigação não pode ser descartada.

O engenheiro explicou que propriedades captam água da Lagoa dos Patos e do Rio Camaquã para irrigação das lavouras. Esse sistema pode permitir o contato de peixes com os canais da associação.

Para Fonseca, a possibilidade é “muito preocupante”, sobretudo pelos impactos sobre a fauna aquática local e sobre a atividade pesqueira na região.

Comitê da Bacia do Rio Camaquã acompanha o caso

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Camaquã já tem conhecimento da presença da espécie na Lagoa dos Patos e no rio, principalmente na região de Amaral Ferrador. Em resposta à Rádio Acústica FM, o presidente do comitê, Luiz Rogério Silva da Silva, informou que o tema poderá ser incluído na pauta de próximas reuniões.

Criado em 2000, o Comitê Camaquã atua na defesa do rio e teve origem após uma série de mobilizações iniciadas em 1989, quando a bacia foi afetada por contaminação por mercúrio e mortandade de peixes.

A palometa oferece risco às pessoas?

De acordo com bibliografia consultada pela Rádio Acústica FM, a palometa não é considerada perigosa para humanos no sentido de representar uma ameaça grave ou frequente. Os especialistas ressaltam, no entanto, que o peixe pode ser agressivo com a fauna local.

Ataques a pessoas são raros e, quando ocorrem, costumam envolver mordidas defensivas leves, geralmente nos pés ou nas mãos. As situações mais comuns incluem:

  • sensação de ameaça ao peixe;
  • pisar acidentalmente em um exemplar;
  • períodos de pouca oferta de alimento, como durante a seca;
  • presença de iscas, peixes feridos ou restos de pesca na água.

Não há registros confiáveis de ataques fatais envolvendo palometas no Rio Grande do Sul.

Diferença entre palometa e outras piranhas

Especialistas destacam que a palometa não apresenta o mesmo comportamento das piranhas amazônicas mais agressivas e não realiza ataques coordenados contra grandes animais. No Sul do país, a chamada piranha-preta, maior e mais agressiva, é considerada rara.

Para reduzir riscos, biólogos orientam medidas simples:

  • evitar entrar na água com ferimentos abertos;
  • não descartar restos de peixe ou lavar pescado nas margens de rios e lagoas;
  • redobrar a atenção em áreas rasas e com grande concentração de peixes, especialmente no verão.

Em resumo:

  • Pode morder? Sim, em situações específicas;
  • É perigosa para humanos? Não representa risco grave;
  • Impacto ambiental: alto potencial de desequilíbrio na fauna aquática.