Cinco países europeus acusaram o governo de Vladimir Putin, neste sábado (14), de utilizar uma toxina letal extraída de sapos equatorianos para envenenar Alexei Navalny. O principal opositor russo morreu em 2024, em uma colônia penal no Ártico, enquanto cumpria pena de 19 anos de prisão. O anúncio ocorreu durante a Conferência de Segurança de Munique, baseando-se em novas análises feitas em amostras do corpo do ativista.

Substância extraída de sapos teria matado opositor de Putin
Os ministérios das Relações Exteriores de Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e Holanda identificaram a presença de epibatidina nos exames. A substância é um alcaloide natural encontrado na pele de pequenos sapos venenosos da América do Sul. Segundo o governo alemão, o composto químico é 200 vezes mais potente que a morfina e causa a morte por asfixia, ao paralisar rapidamente os músculos do sistema respiratório.
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O grupo de nações afirma que apenas o Estado russo detém os meios técnicos e a motivação política para executar um ataque com tamanha sofisticação biológica. O caso será levado à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), sob a acusação de violação de tratados internacionais. Tradicionalmente, o Kremlin nega qualquer envolvimento em episódios de envenenamento de dissidentes e classifica as acusações ocidentais como infundadas.
Yulia Navalnaya, viúva do ativista, afirmou em Munique que o assassinato de seu marido está agora “comprovado cientificamente”. Navalny já havia sobrevivido a uma tentativa de envenenamento por Novichok, um agente nervoso de fabricação soviética, em 2020. Na ocasião, ele buscou tratamento na Alemanha, mas foi preso imediatamente ao retornar a Moscou em 2021, sob alegações de fraude que organismos internacionais consideram politicamente motivadas.
Recentemente, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) condenou a Rússia a pagar indenização por tratamento desumano contra o opositor. A corte detalhou que o ativista sofreu privação de sono e vigilância degradante antes de morrer. Embora a Rússia tenha deixado o Conselho da Europa após a invasão da Ucrânia, o tribunal mantém que o país ainda é juridicamente responsável por abusos cometidos enquanto era signatário dos acordos.



