A Comissão Especial das Ferrovias Inativas da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul inicia, no dia 19 de fevereiro, uma série de audiências públicas em nove municípios estratégicos. O objetivo do colegiado é discutir a reativação de trechos parados, o planejamento logístico do Estado e a situação de famílias que vivem em áreas próximas aos trilhos. O cronograma de debates ocorre em um momento decisivo, já que o contrato de concessão atual, assinado na década de 1990, termina em 2027.

Ferrovias encolheram no RS
Segundo o presidente da comissão, deputado Tiago Cadó (PDT), a malha ferroviária gaúcha encolheu drasticamente nos últimos 30 anos devido ao baixo investimento. Em 1996, o Estado contava com 3,8 mil quilômetros de trilhos, mas hoje restam apenas 880 quilômetros em operação. A situação tornou-se ainda mais crítica após as enchentes que atingiram a região em 2024, danificando estruturas e isolando trechos que antes eram funcionais para o transporte de cargas.
A primeira audiência será em Santa Maria, no dia 19, na sede da Sedusfm, às 19h. Além de melhorias operacionais, o encontro focará no impasse social das ocupações habitacionais em áreas da ferrovia. O vice-presidente da comissão, Valdeci Oliveira (PT), destaca que a falta de regularização nessas zonas dificulta o planejamento das cidades. O parlamentar defende que o modal ferroviário é uma alternativa sustentável e essencial não apenas para mercadorias, mas também para o transporte de passageiros.
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No dia 20, o debate segue para Rio Grande, às 14h, na Câmara do Comércio. O foco será o potencial econômico do Porto do Rio Grande e o conflito entre a demanda por transporte e o déficit operacional relatado pela concessionária Rumo Logística. O deputado Halley Lino (PT) ressalta que a Secretaria Nacional de Transportes Ferroviários já apresentou modelos de ferrovias para a Malha Sul, que devem integrar um plano federal de novas concessões previsto para este ano.
A agenda sobre as ferrovias percorrerá ainda as cidades de Cruz Alta, São Gabriel, Alegrete, Uruguaiana, Itaqui, São Borja e Santiago. Entre os temas centrais estão a conexão da malha gaúcha com o restante do País via Passo Fundo e a integração com a agroindústria de Santa Catarina e Paraná. De acordo com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), cerca de 150 mil pessoas vivem em áreas de risco ou irregulares ao longo dos trilhos no Estado.


