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Senado argentino aprova reforma trabalhista com jornada diária de até 12 horas

Proposta amplia jornada diária, mas mantém limite semanal de 48 horas; entenda

O Senado da Argentina aprovou na semana passada a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. O texto amplia a jornada diária para até 12 horas, mantém o limite semanal de 48 horas e permite o pagamento de salários em moeda estrangeira. A proposta ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados para entrar em vigor. O governo afirma que as mudanças buscam reduzir a informalidade e estimular contratações. Sindicatos e partidos de oposição dizem que a reforma retira direitos e precariza as relações de trabalho.

Senado argentino aprova reforma trabalhista com jornada diária de até 12 horas. Foto: iStock/Divulgação.
Senado argentino aprova reforma trabalhista com jornada diária de até 12 horas. Foto: iStock/Divulgação.

A votação ocorreu em meio a protestos de centrais sindicais. O governo quer que a Câmara analise o projeto na quinta-feira (19), após o Carnaval, com a intenção de aprová-lo até o fim do mês.

Jornada de até 12 horas é proposta na reforma trabalhista

A principal mudança autoriza jornadas diárias de até 12 horas, desde que haja compensação em outros dias, sem pagamento de horas extras. O limite semanal permanece em 48 horas.

A reforma amplia o uso do banco de horas e reduz a incidência de adicional por trabalho extraordinário. Férias poderão ser fracionadas ao longo do ano. Hoje, a legislação exige autorização das empresas para concessão fora do período de verão.

O texto também reduz encargos trabalhistas e cria um fundo para custear verbas rescisórias.

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Criação do FAL e críticas sobre aposentadorias

Um dos pontos mais contestados é o FAL (Fundo de Assistência Trabalhista). O fundo será abastecido por contribuições empresariais de até 2,5% da massa salarial. Esses recursos, atualmente, são destinados à seguridade social.

Críticos afirmam que a medida pode reduzir receitas da Previdência e facilitar demissões, ao transferir o custo das rescisões para um mecanismo coletivo. O fundo será administrado por empresas privadas. O governo estima que a iniciativa possa injetar cerca de US$ 4 bilhões no mercado de capitais argentino.

Mudanças nas licenças e benefícios

A reforma permite que salários sejam pagos em moeda nacional ou estrangeira, como dólares, mas exige que os depósitos sejam feitos pelo sistema bancário. A versão original autorizava pagamento em benefícios como alimentação e moradia, mas esses pontos foram retirados do texto aprovado.

Outra alteração prevê redução de até 50% do salário durante afastamento por doença, sem bonificações. Centrais sindicais pedem regras mais claras e defendem exceções para doenças crônicas ou terminais.

O projeto também limita o direito de greve e altera contribuições sindicais.

Divergência política e cenário econômico

Para o senador oposicionista José Mayans, a lei “não vai gerar emprego, não vai gerar investimento enquanto o plano econômico for mantido”, afirmou ao fim da sessão.

A senadora governista Patricia Bullrich defendeu a proposta. Segundo ela, a reforma busca “simplificar” o sistema e permitir que as novas gerações possam “viver com dignidade e com futuro”. “Este sistema fracassou. O projeto pretende gerar uma Argentina que cresça no setor privado, que cresça com empresas, que cresça com produção”.

Desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, cerca de 300 mil postos formais de trabalho foram fechados no país, segundo dados oficiais. O impacto foi maior na construção civil, na indústria e nas economias regionais.

Por outro lado, o governo registrou queda da inflação anual, que superava 200%, para 32%, conforme dados oficiais divulgados em janeiro. A gestão também reduziu o déficit fiscal e flexibilizou restrições à compra de dólares.

A Câmara dos Deputados ainda pode alterar o texto e centrais sindicais discutem convocar greve geral no início da tramitação.

Se aprovada sem mudanças, a reforma seguirá para sanção presidencial. O governo pretende concluir o processo antes do discurso anual de Milei ao Congresso, marcado para 1º de março.

Como é hoje x como está na proposta

Tema Como é hoje O que muda com a reforma Observações
Jornada de trabalho Limite diário menor, com pagamento de horas extras quando excedido Jornada poderá chegar a 12 horas por dia, com compensação em outros dias Limite semanal permanece em 48 horas
Horas extras / banco de horas Uso mais restrito do banco de horas Ampliação do banco de horas e redução do pagamento de adicional por horas extras Compensação poderá ocorrer sem pagamento adicional
Férias Concessão concentrada, com exigência de autorização da empresa fora do verão Possibilidade de fracionamento mais flexível das férias ao longo do ano Regras específicas ainda podem ser detalhadas na Câmara
Encargos trabalhistas Contribuições integrais sobre a folha Redução de encargos para empresas Governo argumenta que medida estimula contratação
Fundo de Assistência Trabalhista (FAL) Empresas pagam diretamente as verbas rescisórias Criação de fundo financiado por até 2,5% da massa salarial Recursos hoje destinados à seguridade social passarão ao fundo
Pagamento de salário Pagamento em moeda nacional Possibilidade de pagamento em moeda estrangeira, como dólares Depósito deverá ser feito pelo sistema bancário
Licença médica Manutenção integral do salário durante afastamento Possibilidade de redução de até 50% do salário, sem bonificações Sindicatos pedem exceções para doenças graves
Direito de greve e sindicatos Regras atuais garantem amplo direito de paralisação Limitações ao direito de greve e mudanças nas contribuições sindicais Tema é alvo de críticas da oposição