A polilaminina, substância desenvolvida para tratar lesões medulares recentes, tornou-se o assunto mais comentado das redes sociais após vídeos de pacientes em recuperação viralizarem. O composto, uma versão laboratorial da proteína laminina, busca regenerar conexões nervosas interrompidas por traumas na coluna. No Instagram e no TikTok, relatos de pessoas que voltaram a frequentar academias e a recuperar movimentos alimentam a esperança de milhares de famílias.

Médicos pregam cautela com a Polilaminina
Apesar do entusiasmo digital, a biomédica Tatiana Sampaio, líder do estudo, reforça que o tratamento ainda é uma promessa científica e não uma realidade consolidada. A pesquisadora esclarece que os resultados obtidos até agora são preliminares e envolvem um grupo restrito de oito pacientes. Para que a polilaminina seja considerada um medicamento oficial, ela precisa passar por ensaios clínicos rigorosos exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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Atualmente, o projeto está na fase de aprovação ética para iniciar os testes de segurança em humanos, conhecidos como fase 1. Somente após essa etapa e a realização de estudos mais amplos, as fases 2 e 3, será possível atestar a eficácia e os efeitos colaterais em uma população maior. Especialistas alertam que cerca de 30% dos pacientes com lesões agudas — aquelas ocorridas há menos de 72 horas — podem apresentar melhora natural sem o uso de drogas.
O neurocirurgião Jorge Pagura e o pesquisador Leonardo Costa explicam que a medula espinhal funciona como um cabo de comunicação entre o cérebro e o corpo. Quando esse feixe de nervos é rompido, a transmissão de comandos motores e sensoriais é interrompida. A polilaminina atuaria como uma “ponte microscópica”, facilitando o crescimento de prolongamentos dos neurônios, chamados axônios, através da área lesionada para tentar restabelecer essa conexão vital.
A repercussão do caso levou dezenas de famílias a buscarem a substância por via judicial, baseando-se em normas de “uso compassivo”, voltadas para casos graves sem alternativa terapêutica. O laboratório Cristália, parceiro da pesquisa, já realizou 19 aplicações gratuitas por ordem da Justiça. Contudo, os médicos demonstram preocupação com a criação de expectativas irreais, lembrando que ainda não há qualquer evidência de benefício para lesões crônicas, ocorridas há longo tempo.



