O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Junior, afirmou que a recente sinalização do Congresso Nacional para a instalação de farmácias completas dentro dos supermercados não atende às expectativas do setor no Rio Grande do Sul. Segundo o dirigente, a medida exige uma estrutura complexa, com a contratação de múltiplos farmacêuticos para cobrir todos os turnos. Para a Agas, a verdadeira demanda da categoria era a autorização para a venda direta de Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPS).

Mercados precisarão de série de adaptações para ter farmácias em suas lojas
Os MIPS são remédios que não exigem receita médica para a compra, como analgésicos e antitérmicos. Peruso Júnior explicou que, atualmente, as farmácias já funcionam como pequenos mercados, comercializando de alimentos a itens de bazar. O setor defende uma “concorrência leal”, onde o supermercado possa oferecer medicamentos básicos em regime de autosserviço (quando o cliente retira o produto diretamente da gôndola), sem a necessidade de manter uma estrutura farmacêutica completa, que inviabiliza o negócio para pequenas e médias empresas.
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Além da questão dos medicamentos, a entidade monitora com preocupação os debates sobre a mudança na jornada de trabalho para a escala 5×2 (cinco dias de trabalho para dois de descanso). O presidente da Agas alertou que a alteração pode elevar os custos operacionais em até 20%. Caso a medida avance, o dirigente prevê um impacto direto no bolso do consumidor, já que o aumento das despesas com folha de pagamento precisaria ser repassado aos preços dos produtos nas prateleiras.
Outro ponto de atrito mencionado pela associação envolve a fiscalização da Vigilância Sanitária. O setor busca unificar as regras entre os municípios gaúchos, que hoje possuem legislações distintas sobre o fracionamento de produtos e a venda de itens resfriados. A Agas defende que estabelecimentos como o Mercado Público de Porto Alegre gozam de uma tolerância maior na venda de produtos a granel e itens como bacalhau, tratamento que o setor supermercadista reivindica para oferecer maior competitividade aos pequenos produtores locais.
Acompanhe como foi a entrevista:




