O deputado federal Pedro Westphalen (PP-RS) afirmou nesta quinta-feira (05), em entrevista a Rádio Acústica FM, que a Metade Sul precisa de mobilização política para garantir investimentos em infraestrutura e saúde. Ex-secretário estadual de Transportes, ele criticou o modelo de pedágio adotado no passado e defendeu a ampliação de serviços de alta complexidade no interior.

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!
Westphalen disse que a antiga concessão da rodovia que liga Camaquã a Pelotas e Rio Grande impôs tarifas elevadas sem exigir obras estruturais relevantes. Segundo ele, tratava-se de um dos pedágios mais caros do País, sem contrapartidas adequadas.
“Não havia obrigação mínima de duplicação ou modernização”, afirmou.
Com o fim recente da cobrança, o deputado alertou para a necessidade de atenção ao novo modelo. Para ele, prefeitos, vereadores e lideranças regionais devem acompanhar as próximas decisões para evitar a repetição de erros do passado.
Transporte e logística
Westphalen voltou a criticar a opção histórica do Brasil pelo transporte rodoviário. Disse que, há décadas, o País prioriza estradas em detrimento de ferrovias e hidrovias, o que encarece a produção. Citou o Rio Grande do Sul como exemplo de Estado com rios navegáveis pouco explorados.
Ele defendeu investimentos em portos e sistemas hidroviários, com foco na redução de custos logísticos. Também criticou entraves ambientais e burocráticos que, segundo ele, atrasam obras estruturantes.
Saúde no interior
Na área da saúde, o deputado reconheceu a dificuldade enfrentada por pacientes da região que precisam se deslocar a Porto Alegre, Pelotas ou Rio Grande para tratamento oncológico. Ele afirmou que a criação de um centro de alta complexidade depende de estudos técnicos e de um número mínimo de habitantes atendidos.
Westphalen informou que destinou R$ 200 mil em emenda parlamentar para custeio do hospital local. Defendeu, porém, que o reconhecimento do trabalho parlamentar não se restrinja à liberação de ambulâncias ou equipamentos. Citou projetos de sua autoria, como o aumento de 1% no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), aprovado pelo Congresso, que ampliou os repasses federais às prefeituras.
Segundo ele, municípios com menos de 10 mil habitantes passaram a receber cerca de R$ 700 mil a mais por ano com a mudança constitucional.
Política estadual e nacional
Sobre o cenário político, Westphalen afirmou que o Progressistas enfrentou divergências internas quanto à estratégia eleitoral no Estado, mas negou racha. Disse que parte do partido defendia candidatura própria ao governo, enquanto outra ala optou por aliança já no primeiro turno.
No plano nacional, avaliou que o ambiente segue polarizado. Para ele, candidatos precisam dialogar com eleitores que não se identificam com posições radicais. Também criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em sua avaliação, interferem em prerrogativas do Congresso.
Apoio a municípios
Durante a visita, o deputado confirmou a entrega de uma ambulância ao município de Chuvisca, com cerca de 4,6 mil habitantes. O prefeito Márcio da Silva destacou que o veículo substituirá uma unidade com 12 anos de uso.
Westphalen afirmou que continuará priorizando saúde, municipalismo e setor primário. Defendeu ainda políticas de irrigação para enfrentar períodos de estiagem, que têm afetado a produção de milho e tabaco na região.
Ao encerrar a entrevista, colocou o gabinete em Brasília à disposição das lideranças locais para discutir projetos estruturantes.


