O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou nesta sexta-feira (06) que o atual modelo agrícola baseado no uso intensivo de fertilizantes e agrotóxicos tornou-se insustentável. A declaração foi feita durante a 39ª Sessão da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

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Segundo o ministro, a combinação entre produtos químicos, desmatamento e uso excessivo de água pressiona o meio ambiente e exige mudanças na forma de produzir alimentos. Para ele, a transição para alternativas biológicas representa uma “oportunidade científica” para o país.
Teixeira afirmou que os insumos biológicos já ganham espaço no campo. O uso ocorre entre pequenos, médios e grandes produtores. O governo federal, disse, criou mecanismos de financiamento para estimular essa mudança.
De acordo com o ministro, desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva houve acordo entre os ministérios da Fazenda, do Meio Ambiente, da Agricultura e da Agricultura Familiar para ampliar o crédito à agricultura de baixo carbono. O programa prevê juros menores para produtores que adotem práticas restaurativas e ecológicas.
Um dos eixos da política é a recuperação de áreas degradadas, especialmente grandes pastagens. Teixeira citou dois programas voltados a esse objetivo.
O primeiro incentiva sistemas agroflorestais, modelo que combina lavouras com árvores. A proposta, segundo o ministro, é tornar a floresta em pé mais rentável que o desmatamento. O segundo programa busca recuperar pastagens degradadas para aumentar a produtividade sem abrir novas áreas.
Teixeira também informou que o governo estuda proibir alguns agrotóxicos e substituí-los por alternativas menos nocivas ao meio ambiente. A medida ainda está em análise pelos órgãos federais.
Durante a mesa redonda “Caminhos políticos para a agricultura sustentável e a gestão florestal para o desenvolvimento resiliente ao clima na América Latina e no Caribe”, o ministro defendeu ainda a mecanização no campo. A iniciativa pretende reduzir o uso do fogo nas atividades agrícolas.
A conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura reuniu representantes de países da América Latina e do Caribe para discutir políticas voltadas à segurança alimentar e à adaptação da agricultura às mudanças climáticas. O encontro terminou nesta sexta-feira em Brasília.




