Em um cenário marcado por rápidas transformações políticas e econômicas no mundo, o economista Ricardo Bicudo afirmou que os acontecimentos recentes estão mudando o ambiente econômico internacional em um ritmo incomum. Em entrevista ao programa Primeira Hora desta segunda-feira (09), ele destacou que o mundo vive um período em que eventos históricos acontecem em sequência e com forte impacto na economia global.

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Bicudo, que atua na Journey Capital Wealth, e possui mais de 30 anos de experiência em tesourarias de grandes bancos, participará de uma palestra em Porto Alegre com o tema “Há décadas em que nada acontece e semanas em que décadas acontecem”. A frase, atribuída ao líder revolucionário Vladimir Lenin, serve de base para analisar o momento atual da economia mundial.
Segundo o economista, desde o início do ano diversos acontecimentos geopolíticos vêm ocorrendo em sequência. Entre eles, crises políticas na Venezuela, operações contra o narcotráfico no Mexico e a escalada do conflito envolvendo Israel, United States e Iran.
“Estamos apenas no começo do ano e já aconteceram muitos eventos relevantes. Essa velocidade é algo que não se via com frequência”, observou.
Petróleo e efeitos na economia
Um dos principais impactos dessas tensões internacionais tem sido o preço do petróleo. De acordo com Bicudo, a cotação da commodity subiu rapidamente nas últimas semanas, passando de cerca de 60 dólares para mais de 110 dólares o barril.
Esse aumento pode gerar consequências em cadeia. Combustíveis mais caros elevam os custos de transporte, pressionam a inflação e afetam diretamente setores produtivos, como a agricultura.
Durante a entrevista, foi citado o exemplo da colheita de arroz no Rio Grande do Sul, que depende fortemente de diesel. Com o combustível mais caro, os custos de produção aumentam e podem influenciar os preços ao consumidor.
Disputa econômica global
Bicudo também destacou que os conflitos atuais fazem parte de uma disputa maior por influência econômica global, especialmente entre United States e China.
Segundo ele, parte dessa disputa envolve o comércio de petróleo e o papel do dólar como principal moeda do sistema financeiro internacional. Alguns países vêm buscando alternativas, aumentando suas reservas em ouro.
Entre os exemplos citados estão China, Poland e o próprio Brazil, que ampliaram recentemente suas reservas do metal.
Dívida pública e desafios econômicos
Outro ponto de preocupação é o crescimento da dívida pública nos países desenvolvidos. Bicudo destacou que a dívida dos United States já ultrapassa 35 trilhões de dólares, equivalente a mais de 120% do Produto Interno Bruto.
Segundo ele, o governo americano já gasta mais de um trilhão de dólares por ano apenas com juros da dívida, superando inclusive o orçamento militar do país.
“Esse tipo de desequilíbrio gera dúvidas no mercado e pode alterar o papel do dólar como reserva de valor no futuro”, explicou.
Oportunidades e riscos para investidores
Apesar do cenário global incerto, Bicudo afirmou que o Brasil ainda apresenta oportunidades para investidores, especialmente por causa das altas taxas de juros. Com a taxa básica próxima de 15% ao ano e inflação abaixo desse nível, os investimentos em renda fixa oferecem retorno real significativo.
Por outro lado, ele alertou para riscos em aplicações que prometem ganhos muito acima do mercado. Segundo o economista, ofertas com remuneração elevada demais devem ser analisadas com cautela.
“Quando alguém paga muito acima da média do mercado, é preciso desconfiar. Normalmente existe um risco maior por trás”, afirmou.
Importância da política na economia
Bicudo também ressaltou que decisões políticas têm impacto direto na economia e na vida cotidiana. Ele citou que políticas de controle de preços ou aumento de gastos públicos podem gerar inflação no futuro.
Para o economista, o debate sobre o equilíbrio fiscal deve ser um dos principais temas das próximas eleições no Brasil.
“Seja para uma família, uma empresa ou um governo, gastar mais do que se arrecada por muito tempo sempre acaba trazendo consequências”, concluiu.



