A direção do Hospital Nossa Senhora Aparecida de Camaquã (HNSA) utilizou espaço na Rádio Acústica FM, nesta quarta-feira (18), para esclarecer a notificação recebida do Ministério Público do Trabalho (MPT) e detalhar a atual situação financeira da instituição, que enfrenta um déficit mensal significativo.

Participaram da entrevista o diretor Cláudio Rogério Rosa Cruz e a integrante da equipe diretiva Vanessa Rollof, que destacaram que o documento recebido não se trata de uma intimação, mas sim de um convite para uma reunião de trabalho marcada para o próximo dia 24 de março.
Segundo a direção, o encontro deve reunir representantes do hospital, do sindicato da categoria, do poder público municipal e do legislativo, com o objetivo de discutir a situação financeira e trabalhista da instituição. “É um momento de diálogo, onde vamos apresentar dados, esclarecer fatos e buscar caminhos junto aos órgãos competentes”, afirmaram.
Déficit acumulado e dificuldades estruturais
O hospital, que é um dos maiores empregadores de Camaquã, com cerca de 430 funcionários, enfrenta um déficit mensal que atualmente varia entre R$ 980 mil e R$ 1,1 milhão. Apesar de uma redução recente — que anteriormente chegava a cerca de R$ 1,4 milhão —, a dívida segue crescente.
De acordo com a direção, o principal desafio está na origem dos recursos. Grande parte das emendas parlamentares recebidas é destinada a investimentos específicos e não pode ser utilizada para custeio, como pagamento de salários ou quitação de dívidas trabalhistas.
“A cada ano, o hospital acumula cerca de R$ 12 milhões em novos débitos. Existe um passivo histórico importante, que vem sendo trabalhado, mas que ainda impacta diretamente a saúde financeira da instituição”, explicou Cláudio Cruz.
Pagamentos e passivos trabalhistas
A folha salarial mensal gira em torno de R$ 1,2 milhão a R$ 1,3 milhão e, segundo a direção, está sendo mantida em dia, ainda que de forma parcelada — com pagamentos divididos em duas etapas ao longo do mês.
Já as pendências trabalhistas são apontadas como um dos principais entraves. A atual gestão afirma que herdou dezenas de ações judiciais e que intensificou os repasses para quitação dessas dívidas, destinando atualmente cerca de 80% de determinados recursos para esse fim.
Reunião pode definir novos rumos
A reunião com o Ministério Público do Trabalho é vista pela direção como uma oportunidade para alinhar soluções institucionais. A expectativa é de que o encontro permita maior compreensão da realidade do hospital e envolva os diferentes níveis de governo na busca por alternativas.
“Precisamos do apoio dos poderes constituídos para encontrar uma solução viável. O hospital atende não só Camaquã, mas toda a região, e precisa de recursos para manter os serviços”, ressaltaram.
A direção também destacou que a crise enfrentada não é recente e reflete um cenário mais amplo da saúde pública, marcado por limitações de financiamento, especialmente por meio da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).
Contexto e desafios
Durante a entrevista, os gestores reforçaram que a manutenção dos serviços hospitalares exige decisões complexas, diante do equilíbrio entre atendimento à população e sustentabilidade financeira.
A direção ainda avaliou que o encontro com o MPT pode ser decisivo para o futuro da instituição, abrindo espaço para construção de soluções conjuntas e maior transparência sobre os números do hospital.



